“O cidadão comum finalmente entendeu o que é algoritmo”, afirma especialista sobre eleições

Foto: Divulgação
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O especialista em comunicação digital Yuri Almeida afirmou que as eleições de 2026 ampliaram a compreensão dos eleitores sobre o funcionamento dos algoritmos e a influência das plataformas digitais no debate político. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Boa Tarde, Bahia, da Band, nesta sexta-feira (30).

Segundo Yuri, um dos principais aspectos evidenciados pelo processo eleitoral foi a falta de neutralidade das plataformas digitais e a possibilidade de interferência na circulação de conteúdos políticos.

“Eu falo isso em sala de aula desde quando começaram as redes sociais em 2010, de que nenhuma tecnologia é neutra. Quando a gente percebe que há interferência, que é possível sim que grandes empresas interfiram, a gente conseguiu compreender que aquilo ali não é tão inocente assim, que existe manipulação que pode favorecer um lado ou outro da disputa política”, afirmou.

O especialista defendeu que o próximo Congresso Nacional e o governo do presidente Lula avancem na regulamentação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como Big Techs.

Mobilização da base ganha importância

Para Yuri, compreender o funcionamento das plataformas muda a forma de planejar campanhas eleitorais. Na avaliação dele, não basta produzir conteúdo de qualidade ou contratar profissionais de marketing: é necessário construir uma rede de apoiadores mobilizados para ampliar a circulação das mensagens.

“Cientes de como funciona a engrenagem, os políticos precisam entender que se eu não tiver uma sociedade mobilizada, engajada nessas causas, eu não vou conseguir falar com o meu eleitor, porque existe um boicote das plataformas que pode favorecer um candidato, um discurso”, disse.

Yuri também citou dados sobre a definição antecipada do voto. Segundo ele, 33% do eleitorado já começou a eleição presidencial com a escolha definida, enquanto o índice chega a 28% nas disputas proporcionais. Para o especialista, esses números reforçam o peso do voto ideológico. Nas eleições municipais, acrescentou, a proporção pode ser ainda maior.

Pré-campanha começa cada vez mais cedo

Na avaliação de Yuri, os políticos precisam começar desde já a organizar suas bases eleitorais, por meio de grupos de mensagens e eventos que estimulem o debate sobre temas de interesse da população.

“Como é que eu consigo já começar a reunir essas pessoas que gostam de mim? É criando um grupo de WhatsApp, é fazendo algum tipo de evento de mobilização que reúna para a promoção do debate, da discussão sobre os temas da minha cidade, do meu município?”, questionou.

O especialista observou que, embora o período oficial de campanha tenha sido reduzido de 90 para 45 dias, a pré-campanha começa cada vez mais cedo. Segundo ele, já existe uma espécie de “pré da pré-campanha”, impulsionada pelo uso de ferramentas como WhatsApp, Telegram e outros aplicativos de mensagens, que permitem ampliar o diálogo entre políticos e eleitores.

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