O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, anunciou a implantação de três pontos de acolhimento para trabalhadores de plataformas digitais em Salvador e detalhou uma linha de crédito bilionária para a renovação de frotas de táxis e veículos de aplicativo. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (29), na capital baiana, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ministro explicou que as ações visam dar suporte logístico e dignidade financeira a uma categoria historicamente desassistida por políticas públicas federais.
Os novos pontos de parada em Salvador serão implantados em parceria com a Fundação Banco do Brasil e o Governo do Estado, oferecendo estruturas com banheiros, refeitórios e pontos de recarga para celulares.
"Nós vamos fazer uma parceria do programa que estamos desenvolvendo de pontos de apoio para motoristas de Uber e entregadores de delivery do iFood. Vamos trazer pelo menos três pontos de apoio aqui para Salvador em uma parceria com o governo da Bahia. O Jerônimo vai conversar com a turma para ver os lugares. Vamos fazer junto com a Fundação Banco do Brasil para trazer esse ponto de descanso, de parada, para esses trabalhadores se alimentarem, usarem o banheiro e carregarem o celular, que é o seu instrumento de trabalho", explicou Boulos.
Além da infraestrutura física, o ministro destacou o impacto do programa federal Move Brasil, que disponibilizará 30 bilhões de reais em financiamentos para que taxistas e motoristas vinculados a empresas como Uber e 99 deixem de depender de locadoras de veículos.
"Com o Move Brasil, o presidente Lula destinou 30 bilhões de reais para os taxistas e motoristas de aplicativo poderem comprar um carro novo. Para muitos motoristas, gente, isso é se livrar do aluguel da locadora. Tem muito motorista que o carro não é dele, que ele passa a manhã inteira rodando, fazendo corrida, apenas para pagar a locação. Hoje, com o programa, ele vai pagar na prestação do carro — que vai ser dele — menos do que paga na mensalidade de locação de um veículo. São avanços de um presidente olhando para trabalhadores que nunca foram vistos pelo governo", defendeu o chefe da pasta.
Ao final, Boulos abordou o teto de ganho mínimo por quilômetro rodado e a inclusão desses profissionais no sistema de previdência social. Ele ponderou que, embora o Palácio do Planalto apoie a regulação de taxas consideradas abusivas praticadas pelas multinacionais do setor, a mudança estrutural nos repasses financeiros depende exclusivamente de acordos e votações no Poder Legislativo.
"Tem motorista de Uber hoje que ganha um real por quilômetro. O que é isso? Não paga nem a gasolina, enquanto a Uber fatura bilhões e bilhões, sendo o Brasil o mercado de maior faturamento da empresa no mundo. Nós temos que equilibrar essa balança, mas a parte da legislação que garante a previdência e o ganho mínimo depende do Congresso Nacional, não pode ser uma canetada do presidente Lula", concluiu o ministro.