Jerônimo rebate Caiado e defende Sistema Único de Segurança Pública: “O SUS não tira força do Estado”

Foto: Divulgação
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Durante sabatina na TV Aratu, governador afirmou que municípios também têm responsabilidade na segurança e comparou proposta de sistema nacional ao funcionamento do SUS

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) defendeu, nesta terça-feira (4), durante sabatina na TV Aratu, a criação e o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Ao comentar uma posição atribuída ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, Jerônimo afirmou discordar da avaliação de que um sistema nacional poderia reduzir a autonomia dos estados.

“Eu não compartilho do ex-governador Ronaldo Caiado, eu entendo que o SUS não tira força do Estado, o Sistema Único de Saúde. Pelo contrário, às vezes até coloca demais”, declarou.

Para Jerônimo, o modelo de integração adotado pelo SUS pode servir como referência para a organização da segurança pública no país. Segundo ele, um sistema único permitiria estabelecer com maior clareza as atribuições de União, estados e municípios.

“O SUS organiza quais são as ações do município, do Estado e da União. Um SUSP também tem”, afirmou.

Jerônimo defende participação dos municípios

O governador argumentou que a segurança pública não deve ser tratada apenas como responsabilidade dos governos estaduais e federal. Na avaliação dele, os municípios também podem contribuir com medidas de prevenção e organização urbana.

“O município tem responsabilidade, Pablo? Claro que tem”, disse, em resposta ao entrevistador.

Entre os exemplos citados por Jerônimo estão a contratação de guardas municipais, a iluminação pública e intervenções viárias.

“Quando o município contrata guardas municipais, quando o município ilumina os bairros… Quando o município faz quebra-mola de acordo com um plano municipal de segurança pública, isso fortalece e ajuda a segurança pública como um todo”, afirmou.

Escolas, creches e hospitais

Jerônimo também associou a ocupação dos territórios por equipamentos públicos à prevenção da violência. Ele citou escolas, creches, hospitais e espaços esportivos como estruturas que, em sua avaliação, podem contribuir para reduzir a influência do crime organizado.

Ao mencionar Salvador, o governador fez críticas à atuação de administrações municipais anteriores, embora tenha ressalvado que a situação não se aplicaria ao atual município citado no trecho.

“Quando o município […] ocupa o território com escolas, com creches, com hospitais, com quadras, isso quando o território é ocupado dessa forma, se disputa com o crime organizado que vê o território bem ocupado”, afirmou.

Jerônimo acrescentou que a ausência desses equipamentos em bairros periféricos pode dificultar o enfrentamento da violência mesmo quando há policiamento.

“Quando o município não tem nos seus bairros, na sua periferia, espaços como estes, mesmo tendo polícia, mesmo tendo ronda, se torna mais difícil”, declarou.

Repasse de recursos

Na avaliação do governador, a criação de um Sistema Único de Segurança Pública também poderia estabelecer critérios mais organizados para a distribuição de recursos entre os diferentes níveis de governo.

“Eu acredito que esse Sistema Único de Segurança Pública nos dará uma ajuda muito forte, vai organizar, inclusive, a distribuição de orçamento”, afirmou.

Jerônimo comparou o modelo ao funcionamento de áreas como saúde e educação, nas quais a União participa do financiamento e da definição de responsabilidades entre os entes federativos.

“Para que a União possa, como faz com o SUS, como faz com a educação, ter lá o papel e qual é o repasse da União para os municípios e para o Estado”, explicou.

Ao concluir a resposta, o governador reforçou que vê de forma positiva uma eventual iniciativa do governo federal para estruturar um sistema nacional de segurança.

“Eu não me sinto assim, pelo contrário, eu acho muito conveniente a União tomar a iniciativa de criar um sistema único de segurança pública”, afirmou.

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