O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou a aprovação do fim da jornada de trabalho na escala 6x1 pela Câmara dos Deputados como um marco histórico para os direitos trabalhistas no país. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (29), durante agenda institucional em Salvador ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o ministro celebrou o avanço do projeto de lei encaminhado pelo Palácio do Planalto e projetou a promulgação definitiva da matéria antes do recesso parlamentar de julho.
Para o chefe da pasta federal, a readequação da carga horária semanal corrige uma defasagem que se arrastava há quase quatro décadas na legislação trabalhista nacional, desde a promulgação da Carta Magna.
"O que aconteceu essa semana no Brasil vai ser lembrado por décadas. Desde a Constituição de 1988, o nosso país não reduzia a jornada de trabalho. Desde a Constituição de 88, faz 40 anos que a jornada de trabalho era a mesma. A partir de uma pauta, de um grito que veio da sociedade, o presidente Lula abraçando essa pauta, mandou o projeto de lei com urgência, o governo comprou a briga para defender os trabalhadores. Nós conseguimos aprovar na Câmara o fim da escala 6x1, com pelo menos dois dias de descanso, reduzindo agora já para 42 horas semanais e, no ano que vem, para 40. Foi uma enorme vitória da classe trabalhadora brasileira, e só poderia acontecer num governo que tem sensibilidade para o povo como é o do Lula", contextualizou o ministro.
Boulos demonstrou otimismo quanto à tramitação do texto no Senado Federal, pontuando que o apelo popular em torno da qualidade de vida dos trabalhadores deve blindar a proposta contra obstruções motivadas por polarização ideológica ou partidária no plenário.
"Agora, eu acredito firmemente que o Senado vai cumprir o papel dele. Essa é uma demanda da sociedade, está acima de disputas políticas partidárias. Eu acredito que o presidente do Senado e o comando do Senado vão pautar para votar com serenidade. Se Deus quiser, em um mês, antes do recesso de julho, a gente vai ter o fim da escala 6x1 aprovado para o povo brasileiro. E, depois de 60 dias da PEC promulgada, finalmente os trabalhadores e as trabalhadoras vão poder ter um tempo a mais com a sua família, poder ficar com seus filhos, cuidar, ir para a igreja, assistir ao jogo do Bahia ou do Vitória. Eu vou dizer, para mim vai ser o do meu Corinthians, mas cada um assiste ao time que quiser. É tempo para o lazer, para fazer as coisas que quer. É isso que nós estamos liberando ao povo brasileiro", concluiu Guilherme Boulos.