O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu a celeridade na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada de trabalho na escala 6x1 e comentou abertamente o distanciamento político do senador Angelo Coronel, seu antigo aliado de base governista. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (1º), durante o fórum "Diálogos que Transformam" no Bistrot Trapiche Adega, em Salvador, o líder governista minimizou as resistências ao texto e apostou na força da votação expressiva que a matéria obteve na Câmara dos Deputados para sensibilizar o Senado.
Segundo Wagner, o ritmo dos debates na Casa Alta dependerá da articulação conjunta entre a presidência do Congresso e o senador Otto Alencar (PSD-BA), que comanda a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e será o responsável por definir o relator da proposta.
"Cabe ao presidente do Senado e ao presidente da CCJ, Otto Alencar, que é o responsável por fazer as coisas acontecerem, escolher o relator, mas a minha vontade, a vontade da maioria dos senadores, é que a gente acelere. O resultado na Câmara dos Deputados foi muito expressivo. Mais de 470 dos 513 deputados votaram a favor. Eu não creio que haverá movimento dentro do Senado para postergar essa definição", avaliou o parlamentar petista.
Rompimento e alinhamento de Coronel à oposição
Questionado sobre as recentes manifestações de Angelo Coronel contra a abolição da escala 6x1 e as críticas que o colega de bancada baiana vem sofrendo por se posicionar contra os anseios de setores trabalhistas, Jaques Wagner preferiu não polemizar diretamente sobre o mérito das falas, mas contextualizou o posicionamento como um reflexo da nova postura partidária de Coronel, que migrou para o campo oposicionista.
Para o líder petista, o antigo aliado tem verbalizado pontos de vista alinhados à direita nacional e local, inclusive preenchendo um espaço de posicionamento que o provável candidato da oposição ao governo do estado, ACM Neto (União Brasil), tem evitado ocupar publicamente.
"Eu prefiro não comentar. O Angelo foi uma pessoa que cresceu muito no nosso grupo, mas agora no final resolveu sair do grupo, ir para o outro lado, ir para a oposição. Eu creio que ele está dando declarações que se afinam com o lado de lá, até porque o candidato de oposição até agora não falou nada sobre a escala 6x1. Talvez o Angelo Coronel tenha sido mais verdadeiro. Já declarou apoio a Flávio Bolsonaro e já declarou a contrariedade à questão da escala 6x1. É possível que ele esteja falando enquanto o candidato não fala", alfinetou Jaques Wagner.