O cientista político e CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, analisou a correlação de forças políticas na Bahia e o peso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no eleitorado local para os próximos desafios nas urnas. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (1º), durante o fórum "Diálogos que Transformam" no Bistrot Trapiche Adega, em Salvador, o executivo ponderou que, embora o capital político do líder petista continue sendo um pilar decisivo para o grupo governista no estado, o cenário atual apresenta nuances diferentes da disputa anterior, com a consolidação da imagem própria do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Para o especialista em dados, o ciclo político atual exigirá uma avaliação direta das entregas e da aprovação da gestão estadual, descolando-se parcialmente da dependência exclusiva do apelo eleitoral de Brasília.
"Lula tem uma popularidade aqui que garantiu a eleição dele. Na última eleição, por um peso de balança na Bahia, o presidente venceu. Nesse contexto, eu diria que era impossível não ficar em uma força no grupo que tem o apoio dele. Ao mesmo tempo, me parece que a situação nesse ciclo é um pouco diferente. Já temos um governador que está caminhando para a sua reeleição, então ele não é candidato apenas em um projeto de continuidade definida unicamente pelo prestígio do padrinho político, como ocorre no projeto petista de Lula. Agora, o eleitor vota pensando no governo do Estado, com uma imagem de Jerônimo na cabeça e com uma lista de acertos e entregas que, como governador, ele foi responsável. Nesse sentido, acredito que a força de Lula ainda assim é muito importante", ponderou o CEO da AtlasIntel.
Roman apontou que a transição de um candidato estreante — papel que Jerônimo ocupou em 2022 — para um gestor com marcas administrativas tangíveis altera a dinâmica do debate público. Segundo a análise do instituto, o eleitor baiano tende a equilibrar a histórica identificação com a liderança nacional de Lula com uma cobrança mais direta sobre os resultados locais em áreas críticas, consolidando a aprovação do atual chefe do Executivo baiano como o principal ativo de sustentação da aliança governista.