Senador critica volume de R$ 55 bilhões em emendas, questiona destinação de recursos para estados diferentes dos domicílios eleitorais dos parlamentares e defende maior transparência.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou o volume de recursos destinados às emendas parlamentares e afirmou que o mecanismo se tornou uma forma de troca política que prejudica a democracia. Em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, nesta terça-feira (13), o parlamentar questionou a destinação de verbas públicas e cobrou explicações sobre emendas direcionadas a estados diferentes daqueles pelos quais os congressistas foram eleitos.
“Virou uma moeda de troca que é muito ruim para a democracia”, afirmou Wagner ao comentar o uso das emendas no Congresso Nacional.
Segundo o senador, o Brasil precisa ampliar os investimentos em serviços públicos e infraestrutura, mas o volume destinado às emendas exige discussão. Ele mencionou a cifra de R$ 55 bilhões e ressaltou que não considera o instrumento, por si só, um problema.
“Adelso, o Brasil precisa fazer mais hospital, mais escola, mais universidade, mais estrada, e vem R$ 55 bilhões de reais gastos com emenda. Tudo errado? Claro que não”, declarou.
Wagner reconheceu que parte dos recursos pode resultar em benefícios para a população, como a construção de hospitais municipais e o custeio de serviços de saúde. A crítica, segundo ele, está relacionada ao montante destinado às emendas e à falta de clareza sobre parte da aplicação dos recursos.
“Eu não sou contra a emenda, eu sou contra esse volume e essa caixa de chumbo que ninguém exatamente sabe o que tem dentro”, afirmou.
Wagner questiona emendas destinadas a outros estados
Durante a entrevista, o senador levantou dúvidas sobre a destinação de recursos por parlamentares a estados diferentes daqueles que representam politicamente.
“Mas tem cara que é do Norte do país e bota emenda no Rio Grande do Sul. Dá para você me explicar por que alguém, deputado ou senador, é do estado A e vai botar emenda no estado B ou C?”, questionou.
Na avaliação apresentada por Wagner, esse tipo de destinação exige esclarecimentos sobre os critérios e os interesses envolvidos, especialmente quando não há relação eleitoral direta entre o parlamentar e o estado beneficiado.
“Não é por voto, que ele não recebe. Qual o interesse, então?”, perguntou.
Senador cita investigações conduzidas por Flávio Dino
Wagner também mencionou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao abordar as investigações relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
“O ministro Flávio Dino já abriu várias investigações. Eu não vou citar nome”, afirmou.