O presidente estadual do PT na Bahia, Tássio Brito, afirmou que o PSD é um parceiro fundamental na construção política do partido no estado. Segundo ele, a aliança entre as duas siglas resistiu a um “terremoto” no início da campanha eleitoral e saiu fortalecida do processo.
A declaração foi dada em entrevista nesta quarta-feira (4) ao programa Boa Tarde Bahia, da Band Bahia. Ao avaliar a relação entre os partidos, Tássio destacou a importância do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, na articulação e na manutenção do acordo político.
“Na Bahia não temos nenhuma dúvida, o PSD é parceiro nosso dessa construção política fundamental em todos os processos e essa última eleição aliás foi uma prova inconteste da nossa aliança, que sofreu obviamente um terremoto ali, um abalo císmico no início, mas não foi capaz de destruir nossas estruturas. Ao contrário, ficaram muito intactas e o resultado da eleição é esse”, afirmou.
Tássio destaca atuação de Otto Alencar
O dirigente petista ressaltou o papel de Otto Alencar na condução da aliança e relatou um episódio ocorrido após a divulgação do resultado do primeiro turno. Segundo Tássio, enquanto parte da militância demonstrava preocupação com o cenário eleitoral, ele e o senador mantiveram a confiança na vitória.
“Isso obviamente sob a liderança do senador Otto Alencar, que é uma figura fundamental na política baiana e fundamental nessa aliança política nossa”, disse.
Na sequência, contou que os dois permaneceram no Pelourinho defendendo que a disputa ainda não estava definida e que a mobilização política dos dias seguintes seria decisiva.
“Eu tenho uma aliança com Otto que é o seguinte: no dia da eleição do primeiro turno, quando saiu o resultado nosso povo ficou meio assim, a gente tava lá no Pelourinho, nosso povo ficou meio assim e só eu e Otto ficávamos lá dizendo: ‘acabou a eleição, pô, ganhamos, esqueça, vamos ganhar a eleição porque a gente sabe o que vai acontecer a partir de amanhã, vai acontecer uma avalanche e o povo artista, todo mundo na rua, vai ganhar a eleição’. Ficou eu e Otto lá o tempo inteiro dizendo que a gente ia ganhar e o povo meio abalado”, contou.
PL e a reorganização da direita
Na análise do cenário nacional, Tássio avaliou que o crescimento do PL não representa necessariamente uma expansão orgânica da extrema-direita, mas a incorporação de integrantes da direita tradicional e do centrão.
“Nessa eleição, ainda incipiente porque nós não fizemos balanço, mas a extrema-direita na verdade ela fez um processo de fagocitose com a direita e com o centro. Ela nasce ali no impeachment de Dilma muito pequenininha”, analisou.
O presidente do PT também relembrou uma conversa com um parlamentar baiano durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, segundo ele, alertou que o movimento poderia fortalecer um campo extremista dentro da própria direita.
“Eu me lembro que numa conversa que a gente teve lá com um parlamentar daqui da Bahia, a gente disse: ‘vocês estão abrindo uma caixa de Pandora, vocês tão fazendo impeachment de Dilma, vocês não sabem o que vai acontecer e vai atingir mais vocês do que nós, porque nós tamo num campo aqui da esquerda, o setor progressista dialoga conosco, cê tá jogando um elemento novo extremista dentro do seu campo’. E foi o que aconteceu. A extrema-direita foi aumentando. O primeiro morto foi o PSDB nacionalmente, que era o principal adversário nosso, e agora o centrão, que se alinhou à extrema-direita, é o próximo que a extrema-direita está trazendo”, afirmou.
Para Tássio, o aumento da bancada do PL está relacionado à entrada de grupos que já mantinham proximidade política com a legenda. Ele também avaliou que parte do centrão preserva disposição para dialogar com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Então esse aumento do PL na verdade na minha opinião é mais um agrupamento do que um aumento. Ele traz já pra dentro do PL aquele centrão que já gravitava ali em torno do PL. E se o governo for habilidoso, e eu confio na habilidade de Lula, eles vão se isolar. Eles vão tá isolados ali enquanto PL e o centrão que ficou, que parte do PSD que tá lá agora, é um centrão de diálogo democrático. É um centrão que vai dialogar mais com o presidente Lula do que com essa banda antidemocrática que ficou lá aglutinada dentro do PL”, afirmou.
O dirigente acrescentou que deputados que aderiram ao PL por conveniência eleitoral podem não se identificar com o discurso extremista e deixar a legenda.
“Pode ter um ou dois ou três que não se sinta confortável de ficar ali. Uma coisa é você ser do PL com 29 com o presidente do PL. Outra coisa é você ficar com 29 isolado ali num discurso extremista que não é o seu, que você foi pra lá por uma conveniência eleitoral. Aí você vai ficar sustentando isso?”, questionou.
Ao concluir a análise, Tássio defendeu que o PSD nacional dê a Otto Alencar espaço para atuar como interlocutor da legenda no cenário nacional, ao lado de Gilberto Kassab. Na avaliação do petista, essa participação pode ajudar o partido a atravessar o processo de reorganização do centrão.