O presidente estadual do PT na Bahia, Tássio Brito, defendeu a participação dos partidos aliados na composição dos governos, mas ressaltou que o papel do PT e da militância progressista não pode ser diminuído na construção das vitórias eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A declaração foi dada nesta quarta-feira (4), em entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, da Band Bahia.
Ao comentar a formação dos governos, Tássio concordou com a avaliação de que as gestões precisam contemplar os diferentes grupos que participaram das articulações políticas e eleitorais. Na Bahia, segundo ele, as alianças são fundamentais para a sustentação do projeto político liderado pelo PT.
“Primeiro que um Governo tem que ser composto por todos aqueles e aquelas que ajudaram a construir o Governo. Isso aí eu concordo com a fala de Dirceu, porque a gente realmente não ganha sozinho. Aqui na Bahia a mesma coisa, nós não ganhamos sozinho, não é o PT que hegemoniza há vinte anos na Bahia simplesmente. Claro que o PT tem um papel preponderante, protagonista, tem os quadros dos governadores, mas nós temos alianças, alianças fundamentais, que se a gente não tiver essas alianças a gente tem extrema dificuldade de ganhar eleição ou nem ganha eleição. Então todos esses atores que estão compondo esse processo têm que estar no governo”, afirmou.
Na sequência, o dirigente destacou a importância de reconhecer a atuação do partido e de setores progressistas que participam das mobilizações, mesmo sem vínculo formal de filiação.
“Agora o que nós não podemos confundir e nem diminuir é o tamanho do PT e dos setores progressistas petistas que não necessariamente são filiados nessa batalha, nessa luta e nessa vitória política”, completou.
Militância e organização partidária
Tássio também ressaltou a estrutura de mobilização do PT na Bahia. Segundo ele, mesmo diante de avaliações sobre dificuldades da campanha digital e menor movimentação nas ruas no primeiro turno, Lula alcançou 45% dos votos na etapa inicial da eleição. O dirigente atribuiu o resultado às políticas públicas, ao reconhecimento de parte do eleitorado e à organização partidária.
“Porque veja, é um partido que aqui na Bahia, por exemplo, está organizado em quase 400 municípios em diretórios, com militantes que se reúnem, que fazem nossa campanha não só no período eleitoral”, disse.
Para ilustrar a atuação permanente da militância, o presidente estadual contou que costuma viajar pelo estado entre os períodos eleitorais e relatou uma conversa com amigos que questionaram o trabalho político antes do início de uma nova campanha.
“Eu tô trabalhando e militando pra quando a gente tiver um candidato como foi Jerônimo vocês dizerem ganhou do nada. Não é do nada não irmão, é muita construção e muita militância política, ouvir, escutar a sociedade”, relatou.
Nordeste no centro do projeto político
Um dos principais pontos da entrevista foi a defesa de maior reconhecimento da participação do Nordeste na trajetória eleitoral do PT. Para Tássio, existe uma dificuldade histórica de parte do país em compreender a importância política da região.
“O Nordeste não é da esquerda nem da direita nem de ninguém. Há uma dificuldade de enxergar o Nordeste. Eu vejo algumas avaliações dizerem ‘ah mas porque fulano foi importante, ciclano foi importante'”, afirmou.
O dirigente citou a diferença de votos obtida por Lula no Nordeste em relação aos adversários nos dois turnos da eleição. Segundo os números apresentados por ele, a vantagem foi de 11 milhões de votos no primeiro turno e de 13 milhões no segundo.
“Não existe pensar em ganhar eleição sem a pujança do Nordeste. E mais do que isso, não é o voto, é o que move o voto. Se os nossos quadros progressistas não olharem para o Nordeste com um olhar de bebê da inteligência política desse povo aqui, não vai acertar lá”, declarou.
Tássio ponderou que a atuação do PT em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul também é importante e mencionou o desempenho da legenda em Santa Catarina, onde, segundo ele, o partido obteve entre 25% e 30% dos votos, além do resultado em Florianópolis.
Ao concluir, voltou a destacar a presença nordestina entre os representantes eleitos pelo partido. “Nós elegemos quatro governadores, os quatro são do Nordeste. Dos dez senadores do PT no ano que vem, oito são do Nordeste. Então não se trata de querer ou não diminuir, porque não tem como diminuir o PT do Nordeste. O PT do Nordeste é isso aí”, concluiu.