A troca de declarações entre antigos aliados ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (23). Candidato a vice-governador na chapa encabeçada por ACM Neto (União Brasil), o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), respondeu às críticas feitas pelo ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e afirmou que lealdade política não significa submissão. Durante entrevista ao programa Giro Baiana, da Rádio Baiana FM, Cocá fez um duro desabafo sobre o rompimento com o grupo governista.
Ao recordar o período em que apoiou Rui Costa, o prefeito ressaltou que esteve ao lado do petista nas duas campanhas ao Governo da Bahia, inclusive quando, segundo ele, poucos acreditavam na vitória do então candidato.
"Eu votei nele, nunca escondi de ninguém que votei nele. Votei nas duas eleições, inclusive quando ninguém acreditava nele. Fiz campanha, defendi ele. Agora, eu digo sempre: ser grato não é ser submisso", declarou.
Na sequência, Zé Cocá endureceu o discurso ao afirmar que nunca aceitou relações políticas baseadas em obediência irrestrita.
"O ministro queria que você fosse submisso e capacho dele. Eu não sou capacho de homem nenhum", disparou.
Cocá defende atuação nos consórcios
Durante a entrevista, o candidato da oposição também rebateu críticas relacionadas ao período em que coordenou os consórcios intermunicipais de infraestrutura do governo estadual. Segundo ele, sua participação foi fruto de uma proposta técnica apresentada ao próprio Estado.
De acordo com Cocá, o modelo implantado permitiu reduzir significativamente os custos da recuperação de estradas na Bahia.
"Eu levei a proposta para o governo naquele momento. Mostrei que, com os consórcios, era possível economizar mais de 80% do que se gastava na recuperação de estradas", afirmou.
O prefeito acrescentou que o projeto começou no Vale do Jiquiriçá e, após os resultados apresentados, foi expandido para outras regiões do estado.
"Foi uma ideia minha que levei ao Estado. Fizemos o primeiro modelo e provamos que funcionava. O único emprego que me deram foi esse, com um salário de R$ 6 mil a R$ 7 mil, onde desempenhei meu papel com trabalho técnico e resultados", disse.
"Quem me ajudou foi Deus"
Zé Cocá também contestou a versão de que teria sido eleito deputado estadual graças ao apoio de Rui Costa. Segundo ele, sua vitória foi construída de forma independente e sem respaldo político do então governador.
"Na minha eleição de deputado, a única pessoa que me ajudou foi Deus. Inclusive ele disse, olho no olho, que o candidato dele em Jequié era Euclides Fernandes", revelou.
Ao encerrar o assunto, o prefeito afirmou que Rui Costa não participou de sua eleição e fez a declaração mais contundente da entrevista.
"Se ele disser que me deu um voto na eleição de deputado, infelizmente ele está mentindo", concluiu.