Jaques Wagner diz não se lembrar de diálogo sobre Banco Master e cobra PF: “Em vez de jogar a poeira no ventilador, tinha que investigar e provar”

Foto: Divulgação
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O senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição, afirmou nesta segunda-feira (21), em entrevista à Rádio Piatã FM, que não se recorda do motivo de uma conversa mantida com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, em agosto de 2024. O diálogo, revelado em documentos da investigação da Polícia Federal, inclui uma mensagem em que Wagner teria dito que precisava conversar com Lima para “saber como estão as coisas do banco”.

Questionado sobre o conteúdo da mensagem e sobre o que pretendia saber naquela ocasião, Wagner respondeu que não consegue se lembrar do contexto da conversa.

“Eu não vou me lembrar do que era de 2024, sinceramente. Não sei o que que ele tem.”

Na sequência, o senador criticou a forma como informações da investigação vêm sendo divulgadas e defendeu que a Polícia Federal avance na apuração antes de apresentar conclusões.

“Eu acho que a Polícia Federal, em vez de jogar a poeira no ventilador, ela tinha que investigar e provar.”

A PF investiga a relação de Wagner com Augusto Lima e possíveis conexões do senador com interesses do Banco Master. Relatórios tornados públicos apontam, entre outros elementos, diálogos entre os dois sobre assuntos relacionados à instituição financeira e à atuação parlamentar. Segundo documentos da investigação, Wagner e Lima mantiveram dezenas de contatos telefônicos entre 2023 e 2025. (CNN Brasil⁠)

“Eu não tenho nenhum negócio”

Durante a entrevista, Wagner negou ter negócios com o Banco Master e afirmou que nunca teve relação comercial com a instituição.

“Eu não tenho nenhum negócio, eu não tenho CNPJ, nunca fiz negócio com Banco Master.”

O senador também afirmou que não possui relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Questionado diretamente se já havia falado com o empresário, respondeu:

“Nunca falei com o Vorcaro. Com o Vorcaro, nem com o Banco Master.”

Wagner explicou que sua relação com Augusto Lima era anterior e de natureza pessoal. Segundo o senador, Lima se tornou seu amigo após participar da compra da Cesta do Povo, rede de supermercados estatal da Bahia.

“Eu fui no casamento do Augusto. Augusto acabou virando um amigo depois que comprou a Cesta do Povo. Então ele podia me procurar pra isso, pra aquilo. Mas eu não tenho nenhuma relação com o Banco Master.”

Senador cita investigação anterior

Ao defender que as acusações sejam comprovadas, Wagner lembrou uma investigação da PF envolvendo sua gestão na Bahia. Ele afirmou que, em 2018, foi alvo de suspeitas relacionadas às obras da Arena Fonte Nova e que posteriormente teria sido inocentado.

“Eu já tive esse problema em 18, tá lembrado? A Polícia Federal também disse que tinha superfaturamento da Fonte Nova. Eu fui eleito e foi provada a minha inocência.”

Wagner também citou o custo da arena em comparação com outros estádios construídos para a Copa do Mundo de 2014 como argumento para sustentar sua versão.

“Vê se a Bahia tem um centavo”

Ao ser questionado sobre possíveis investimentos de estados e municípios no Banco Master, Wagner afirmou que a Bahia não teria recursos aplicados na instituição.

“Vê se a Bahia tem um centavo investido no Banco Master. Nem um centavo.”

O senador acrescentou que uma prefeitura baiana teria colocado dinheiro no banco e sofrido perdas, mas ressaltou que não estava afirmando que a operação teria sido irregular.

“Não tô dizendo que é venal isso, mas botaram o dinheiro lá e perderam muito dinheiro.”

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