Pré-candidato à Presidência pelo PL afirmou, em entrevista ao Canal Livre, que tentou utilizar a possibilidade de uma mudança de governo no Brasil para negociar tarifas e proteger empresas brasileiras
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, defendeu durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, a estratégia adotada em uma carta dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual teria mencionado a possibilidade de uma mudança de governo no Brasil como elemento para uma negociação comercial.
Questionado sobre a iniciativa e a possibilidade de a carta ser interpretada como um pedido para que eventuais tarifas fossem discutidas somente depois das eleições brasileiras, Flávio explicou que sua intenção, segundo ele, era utilizar os instrumentos disponíveis para tentar negociar com o governo americano.
“Qual que é o instrumento, o que é que funciona na cabeça de quem a gente está querendo negociar? Quais são as nossas forças para negociar com alguém?”, afirmou.
O senador disse que considerou a possibilidade de uma mudança de governo no Brasil como um fator que poderia ser utilizado diplomaticamente nas negociações com os Estados Unidos.
“Se o presidente dos Estados Unidos é alguém que pode ser sensível a uma troca de governo que pode acontecer daqui a dois meses, por que eu não posso falar: olha, se o Flávio Bolsonaro for o presidente do Brasil, você não vai precisar colocar tarifas sobre a mesa para negociar?”, declarou.
Promessa de grandes acordos comerciais
Ao justificar a estratégia, Flávio afirmou que uma eventual administração sua buscaria estabelecer uma relação comercial mais ampla com os Estados Unidos, baseada em negociações que, segundo ele, poderiam beneficiar os dois países.
“Nós vamos fazer os maiores acordos comerciais da história dos nossos países, o que for melhor para a nação brasileira, o que for melhor para a nação americana, para a gente chegar em um consenso”, afirmou.
Segundo o senador, foi essa a lógica apresentada na carta.
Flávio argumentou ainda que sua iniciativa tinha como objetivo tentar evitar prejuízos a produtos e empresas brasileiras diante da possibilidade de tarifas americanas.
“Tentei usar essa expectativa de troca de governo no Brasil para proteger os produtos brasileiros, para proteger as empresas brasileiras”, disse.
Críticas ao governo Lula
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte da responsabilidade pela situação envolvendo as tarifas americanas.
O senador afirmou que o Brasil estaria sendo penalizado, em sua avaliação, pela condução diplomática do atual governo e por declarações de Lula.
“O Brasil está sendo sancionado por causa dessa falta de habilidade do atual governo e por causa das provocações dele”, declarou.
Em seguida, fez uma crítica direta ao presidente.
“O Lula cavou o pênalti. Ele procurou e pediu essa tarifa exatamente acreditando que isso é ter algum benefício eleitoral para ele”, afirmou.
A declaração representa a avaliação política de Flávio Bolsonaro sobre as motivações do governo federal nas negociações com os Estados Unidos.
“Eu fui lá para defender o Brasil”
O pré-candidato também mencionou uma viagem aos Estados Unidos para participar de discussões relacionadas à política comercial americana. Segundo Flávio, ele esteve na International Trade Commission, órgão americano responsável por questões relacionadas ao comércio internacional, com o objetivo de defender interesses brasileiros.
“Eu fui lá para tentar defender o Brasil”, afirmou.
Flávio também criticou a ausência, segundo ele, de um representante enviado pelo governo brasileiro para atuar na mesma frente.
“O Lula não mandou um representante, Adriana. Umzinho, para fingir que está lá defendendo o Brasil”, declarou.
Ao concluir a resposta, o senador resumiu sua atuação sob a perspectiva que apresentou durante a entrevista:
“Eu trabalhei para que o Brasil não fosse tarifado. O Lula trabalhou para que o Brasil fosse tarifado e ele conseguiu.”