Pré-candidato à Presidência pelo PL afirmou, em entrevista ao Canal Livre, que pretende buscar novas formas de financiamento para o sistema sem congelar aposentadorias
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que uma eventual reforma da Previdência em seu governo não terá como objetivo reduzir ou congelar os benefícios de aposentados.
Ao ser questionado sobre a necessidade de revisar o sistema previdenciário e sobre quais seriam suas propostas para equilibrar as contas, Flávio fez uma promessa direta aos aposentados.
“Eu quero garantir aqui que eu não vou fazer economia em cima de aposentado”, afirmou.
O senador também rejeitou a possibilidade de congelar aposentadorias em um cenário de inflação elevada. Para ele, uma política de ajuste não pode transferir o peso do equilíbrio fiscal para pessoas que já dependem do benefício para garantir a própria subsistência.
“Eu não vou congelar as aposentadorias com a inflação que chegou com toda a força aí agora”, declarou.
Novas formas de financiamento
Flávio Bolsonaro afirmou que sua equipe econômica deverá estudar uma “nova forma de ancoragem” para a Previdência. Segundo ele, o desafio está relacionado à diferença entre o número de pessoas que recebem benefícios e a quantidade de trabalhadores que contribuem para o sistema.
“Hoje nós temos muito mais pessoas recebendo benefício do que contribuindo para isso”, disse.
Como alternativa, o pré-candidato afirmou que pretende discutir a criação de fundos que possam servir como fonte adicional de recursos para a aposentadoria.
“Então nós vamos criar fundos, diferentes fundos, que vão servir de lastreamento, vão ser securitizados”, afirmou.
A ideia apresentada por Flávio é permitir que trabalhadores que hoje contribuem para a Previdência também tenham a possibilidade de direcionar parte de suas contribuições para fundos destinados à formação de recursos para a aposentadoria.
Segundo ele, esses fundos deverão ter acompanhamento e transparência para que os participantes possam acompanhar o desempenho dos recursos.
“Vai ser com transparência, para poder saber qual vai ser o rendimento”, explicou.
Modelo de contribuição individual
Durante a entrevista, os apresentadores questionaram se a proposta significaria a adoção de um modelo no qual cada trabalhador contribuiria para formar a própria aposentadoria.
Flávio respondeu que esse seria “uma das alternativas” em estudo, mas ressaltou que o modelo não eliminaria a Previdência tradicional.
“Sem desconsiderar, óbvio, como acontece hoje”, afirmou.
Na visão apresentada pelo senador, o sistema poderia combinar a garantia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com uma alternativa de contribuição para fundos previdenciários.
“Então vai ter o caminho, vai ter ali a garantia do INSS, mas vai ter também outra possibilidade”, declarou.
“A conta tem que fechar”
Flávio Bolsonaro reconheceu que o modelo previdenciário precisa encontrar uma forma sustentável de financiamento para evitar a necessidade de novas mudanças em curto prazo.
“A conta tem que fechar em algum momento, porque senão seria necessário uma outra reforma da Previdência rapidamente”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, caberá à equipe econômica encontrar alternativas que permitam equilibrar as contas sem transferir o custo do ajuste para quem já está aposentado.
Ao reforçar sua posição, Flávio encerrou a resposta com uma promessa direcionada aos beneficiários do sistema:
“Eu quero fazer esse compromisso aqui, que não tem possibilidade de eu fazer economia em cima de aposentado.”