“Eu não sou culpado, eu sou investigado, é diferente”, diz Jaques Wagner sobre caso Master

Foto: Divulgação
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O senador Jaques Wagner (PT) comentou o caso Banco Master e defendeu a permanência de Eduardo Sodré, secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia e seu enteado, no governo de Jerônimo Rodrigues (PT). Em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, nesta terça-feira (13), Wagner afirmou que o fato de uma pessoa ser investigada não significa que ela seja culpada.

“Eu não sou culpado, eu sou investigado, é diferente”, declarou o senador ao responder a uma pergunta sobre a diferença entre seu afastamento da liderança do governo no Senado e a permanência de integrantes da administração estadual citados no caso.

Questionado pelo apresentador Adelcio sobre os motivos pelos quais Sodré não deixou o cargo para se defender das suspeitas, Wagner afirmou que a decisão cabe ao governador. “A liberdade é de Jerônimo”, disse.

O senador também argumentou que uma pessoa não deve ser obrigada a deixar uma função pública imediatamente após o surgimento de questionamentos sobre sua conduta.

“Não dá para também alguém levantar uma lebre e na mesma hora você tem que sair para provar que inocência”, afirmou.

Wagner diz que secretário não tem relação direta com o processo

Durante a entrevista, Wagner sustentou que Eduardo Sodré não teria envolvimento direto com o processo investigativo e explicou que as referências ao secretário estariam relacionadas à empresa da esposa dele.

“Então, no caso de Eduardo, o Eduardo não tem nada a ver com o processo. É a esposa dele que é a sócia de outro amigo deles, que tem uma empresa”, declarou.

O senador também questionou o que considera um tratamento direcionado a Sodré e à família, argumentando que outras empresas realizam serviços semelhantes em diferentes estados brasileiros.

“Centenas delas que fazem o mesmo serviço que eles fizeram para o cartão […] Banco Master, que ganha o dinheiro em 23 estados da federação, estranhamente só Eduardo e a esposa dele foram […]”, disse, em trecho cuja transcrição apresenta falhas e precisa ser conferido no áudio original.

“A ficha dele é limpíssima”, afirma senador

Wagner também defendeu a atuação de Sodré à frente da Secretaria do Meio Ambiente e contestou suspeitas relacionadas a possíveis concessões de licenças ambientais em troca de favores.

“Então, na área de meio ambiente onde ele atua, alguém levantou alguma lebre sob alguma licença que ele deu, concedida por troca de favor, a ficha dele é limpésima”, afirmou.

O senador ressaltou que conhece Sodré desde a infância e usou a relação familiar para justificar sua confiança no secretário.

“E eu estou falando porque eu conheço ele”, declarou. Wagner explicou que, quando se casou com Fátima Mendonça, Sodré tinha três anos e que participou de sua criação.

Ao relatar a conversa com o governador, o senador resumiu sua posição em relação à permanência do secretário: “Então eu disse assim, não sai. E o Jerônimo disse, não vou tirar”, conforme a transcrição fornecida.

Contexto da investigação

O caso Banco Master é alvo de investigação da Polícia Federal. Em junho de 2026, reportagens informaram que Eduardo Sodré foi alvo de medidas de busca e apreensão no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas relacionadas a pagamentos e a possíveis vantagens indevidas envolvendo pessoas ligadas ao banco e ao entorno do senador.

Segundo informações publicadas pelo Bahia Notícias e pela Folha de S.Paulo, investigadores examinam movimentações financeiras relacionadas à empresa da esposa de Sodré e a negócios vinculados ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. As suspeitas investigadas não equivalem, por si só, a uma condenação.

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