O panorama para as eleições de 2026 na Bahia foi tema de debate entre os jornalistas Jones Almeida, do Classe Política, e Raul Aguilar, do Política ao Ponto, em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio nesta segunda-feira (4).
Durante a análise conduzida por Luis Ganem, na Itapoan FM, os especialistas destacaram que, embora o histórico favoreça o grupo que detém a máquina estadual, a margem de vantagem tem encolhido nos levantamentos mais recentes.
Raul Aguilar pontuou que, tradicionalmente, o grupo governista demonstra força em processos de reeleição, conseguindo ampliar seu capital político ao longo da disputa.
“Se a gente recorre ao histórico, dificilmente esse grupo perde a reeleição na Bahia. Em números, geralmente cresce”, observou o jornalista, ressaltando, porém, que o cenário atual aponta para uma competitividade maior, com diferenças que variam entre 7 e 12 pontos percentuais.
A complexidade do pleito também foi sublinhada por Jones Almeida, que acredita ser impossível antecipar qualquer resultado neste momento. Para ele, o peso das máquinas estadual e federal é um fator de peso, mas não isolado.
“Essa eleição é dura, não dá para cravar. Existe um poder de máquina hoje, tanto estadual quanto federal, que é significativo, mas isso não garante vitória”, avaliou, reforçando que a percepção do eleitor sobre a gestão pública será determinante.
Jones destacou ainda uma mudança nas preocupações do eleitorado baiano, observando que temas como segurança pública e corrupção ganharam o espaço que antes era ocupado pela pauta da fome.
Na visão do jornalista, mesmo com entregas concretas em infraestrutura e hospitais, a falha em serviços essenciais na ponta compromete a avaliação governamental.
“Você não pode dizer que não houve avanços: teve hospital, teve investimento. Mas a percepção da população passa muito pela ponta, pelo acesso. Tem gente esperando regulação na saúde por dias”, concluiu.