Brasileiro que chegou aos EUA como imigrante irregular faz história e é eleito deputado estadual na Flórida

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O brasileiro Felipe Sousa Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (3), e entrou para a história como o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no Legislativo estadual. Democrata, ele recebeu cerca de 63% dos votos na região metropolitana de Orlando, superando o candidato republicano. A vitória também o tornou o primeiro imigrante abertamente gay a ocupar o cargo no estado. As informações são da Folha de S.Paulo.

Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe chegou aos Estados Unidos em 2001, aos 14 anos, levado pela irmã mais velha. Inicialmente, entrou no país com visto de turista, mas permaneceu após o vencimento do documento e passou anos em situação migratória irregular. Filho de uma mãe solo que trabalhava como empregada doméstica, encontrou na educação uma oportunidade de construir sua trajetória nos Estados Unidos. Ele ingressou no Miami Dade College, onde estudou relações internacionais.

A atuação política de Felipe começou a ganhar força em 2006, quando passou a participar de movimentos em defesa dos chamados dreamers, imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças. Em 2010, esteve entre os jovens que organizaram a Trail of Dreams (Trilha dos Sonhos), uma caminhada de aproximadamente 1.500 quilômetros entre a Flórida e Washington. A mobilização, realizada entre janeiro e maio daquele ano, buscava pressionar o governo americano pela regularização migratória de pessoas que haviam entrado no país antes dos 18 anos.

Dois anos depois, o então presidente Barack Obama criou o Daca (Ação Diferida para Chegadas na Infância), programa que concedia proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho a determinados imigrantes que chegaram ainda crianças. Na época, aos 26 anos, Felipe atendia aos critérios para receber o benefício. Segundo levantamento apresentado pela Folha de S.Paulo, 436 mil imigrantes ainda eram beneficiários do programa, entre eles 2.990 brasileiros.

Em 2016, após passar um período em Nova York, o brasileiro retornou à Flórida e começou a trabalhar com a Prefeitura de Orlando. Naquele mesmo ano, atuou no suporte a sobreviventes e familiares das vítimas do ataque à boate Pulse, que deixou 49 mortos em junho e se tornou o maior massacre contra a comunidade LGBTQIA+ da história dos Estados Unidos. Posteriormente, assumiu a liderança da Hope CommUnity Center, organização dedicada ao apoio de imigrantes.

Durante esse período, Felipe se casou, conseguiu o green card e obteve a cidadania americana em 2021. Sua entrada na disputa eleitoral aconteceu em 2025, após um convite da deputada democrata Anna Eskamani, que o incentivou a concorrer à vaga na Câmara da Flórida. Filha de imigrantes iranianos, a parlamentar não poderia disputar um novo mandato após cumprir quatro períodos consecutivos de dois anos, limite estabelecido pela legislação local.

Segundo Felipe, Eskamani considerou que sua trajetória e atuação em defesa de grupos marginalizados lhe davam credibilidade para disputar o cargo. Antes da eleição, o brasileiro também destacou a influência da mãe em sua formação. "Minha mãe sempre me ensinou a importância da educação, do trabalho duro, da honestidade", afirmou.

Compartilhe:

Siga a gente Instagram | Facebook | Twitter | Youtube

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

error: Conteúdo protegido.