Durante entrevista à Sociedade, candidato afirmou que prestou serviços ao banco quando não ocupava cargo público e anunciou reação judicial contra declarações de Jerônimo Rodrigues
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) reagiu, durante entrevista à Sociedade nesta quarta-feira (16), às acusações que passaram a envolver seu nome nas investigações relacionadas ao Banco Master. Neto afirmou que o caso deve ser tratado como uma questão envolvendo o grupo político do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e negou ter cometido qualquer irregularidade.
“Primeiro é importante deixar bem claro que essa é uma crise do grupo de Jerônimo Rodrigues. Não é uma crise minha”, afirmou.
O caso Banco Master ganhou dimensão política na Bahia após documentos e informações relacionadas às investigações da Polícia Federal passarem a envolver nomes ligados a diferentes grupos políticos. Relatórios do Coaf já haviam apontado que uma empresa ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2024. Neto afirma que os valores correspondem a serviços privados de consultoria realizados por sua empresa.
Neto diz que trabalho para o Master foi privado
Durante a entrevista, ACM Neto voltou a explicar sua relação profissional com o banco. Segundo ele, os serviços foram realizados em período no qual não exercia cargo público.
“Eu desempenhei um trabalho para o Banco Master, todo oficial, empresa constituída, contrato assinado, nota fiscal emitida, imposto recolhido, todo absolutamente lícito, transparente”, declarou.
A versão apresentada por Neto já havia sido divulgada anteriormente. Em março, ele afirmou que a A&M Consultoria, empresa da qual é sócio, prestou serviços para clientes privados, incluindo o Banco Master e a Reag, depois que deixou de exercer mandato público. (Blog do Valente)
O relatório do Coaf citado pela imprensa registra os pagamentos feitos à empresa. A existência das transações, portanto, é documentada; já a interpretação sobre a natureza e a eventual irregularidade dos serviços é objeto de disputa e investigação.
Candidato diz estar à disposição das autoridades
Neto também afirmou que se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
“Desde março deste ano me coloquei à disposição para prestar qualquer tipo de esclarecimento à Procuradoria-Geral da República, ao Supremo Tribunal Federal”, disse.
O candidato classificou como falsas e sem respaldo as acusações que, segundo ele, passaram a surgir às vésperas da eleição.
“A gente começa a ver uma série de acusações falsas, mentirosas, sem qualquer respaldo”, afirmou.
Na segunda-feira (14), Neto já havia anunciado que pretendia processar Jerônimo Rodrigues por calúnia em razão de declarações relacionadas ao caso Banco Master. A informação foi registrada pela imprensa local antes da entrevista desta quarta-feira.
Neto cita secretário de Jerônimo
Ao tentar deslocar o foco das acusações, ACM Neto citou o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, que permanece no cargo e aparece nas investigações relacionadas ao Banco Master.
“É Jerônimo Rodrigues que tem um secretário investigadíssimo, ocupando o cargo público, exercendo função pública”, afirmou.
A situação de Sodré também foi registrada em reportagens sobre o caso. Segundo a imprensa, o secretário é alvo de investigação da Polícia Federal e continua à frente da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia.
A menção de Neto, contudo, não elimina a existência de questionamentos e investigações envolvendo diferentes personagens no caso Banco Master. A apuração alcança pessoas de diferentes grupos políticos e instituições, e as responsabilidades individuais dependem das investigações e de eventuais decisões judiciais.
“Estou muito tranquilo”, afirma
Ao concluir a resposta, ACM Neto disse que pretende manter sua defesa baseada na apresentação de documentos e na disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.
“Eu estou aqui muito tranquilo para colocar a verdade acima de tudo e para mostrar que esse problema, na verdade, está do lado de lá”, afirmou.