Em depoimento prestado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos do 8 de Janeiro, o hacker Walter Delgatti Neto afirmou que a única forma de fraudar as urnas eletrônicas brasileiras seria por meio da manipulação direta do seu código-fonte durante a etapa de desenvolvimento na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para ilustrar sua tese aos parlamentares, Delgatti utilizou uma analogia comparando a programação do sistema ao preparo de uma receita de bolo.
“Os ingredientes são a farinha, o ovo, o leite. Quem faz o código-fonte tem acesso aos ingredientes; se quiser, pode colocar veneno, e aí sai um bolo venenoso”, declarou o hacker.
Centralização e Defesa do Comprovante Impresso
Durante a oitiva, Delgatti argumentou que a criação, edição ou atualização dos programas computacionais concede poder total a quem desenvolve as instruções, permitindo alterar o funcionamento dos equipamentos distribuídos pelo país em caso de má intenção. O depoente acrescentou ainda que, segundo seu conhecimento, a elaboração desse código esteve centralizada sob a responsabilidade de uma única pessoa até o pleito de 2018.
Como mecanismo de segurança e auditabilidade do processo de votação, Delgatti defendeu a adoção do voto impresso acoplado à urna eletrônica, classificando a medida como a única alternativa capaz de garantir a verificação independente dos resultados.