Lula defende saidinha de presos e questiona punição coletiva: “Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares”

Foto: Divulgação
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Em entrevista ao SBT News, presidente argumentou que a saída temporária permite a convivência familiar e defendeu a ressocialização de presos, com restrições para condenados por crimes graves.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu a manutenção da saída temporária de presos, conhecida como “saidinha”, e afirmou que o benefício deve considerar o comportamento da pessoa condenada e a gravidade do crime cometido. Em entrevista ao SBT News, na noite desta terça-feira, Lula argumentou que o sistema prisional deve buscar a recuperação dos detentos e criticou a ideia de restringir o direito de todos em razão de casos de reincidência.

“Você não pode, por causa de dois ou três, punir centenas ou milhares de pessoas”, afirmou o presidente ao questionar a adoção de medidas generalizadas em resposta a crimes cometidos por pessoas que receberam o benefício.

Lula defende convivência familiar durante cumprimento da pena

Ao explicar sua posição, Lula disse que a saída temporária deve levar em conta os vínculos familiares dos presos e a possibilidade de reintegração à sociedade. Segundo ele, pessoas que cometeram delitos não considerados graves e apresentam bom comportamento podem ter o direito de visitar familiares, conforme os critérios aplicáveis.

“Primeiro, a saidinha é uma questão de direito das pessoas conviverem em família”, declarou.

O presidente citou a importância da convivência com filhos, pais e companheiros durante o cumprimento da pena. Para Lula, a manutenção desses vínculos pode fazer parte do processo de recuperação de quem está preso.

“Afinal de contas, o sistema prisional deve ter como objetivo a tentativa de recuperar as pessoas”, afirmou.

Presidente questiona restrições motivadas por casos de reincidência

Durante a entrevista, Lula levantou a questão dos presos que voltam a cometer crimes depois de deixar temporariamente a prisão e questionou se casos individuais devem justificar restrições que atinjam um número maior de detentos.

“Ah, mas teve um cidadão que saiu e voltou a cometer um crime. Quantos foram?”, perguntou.

A declaração expressa a posição do presidente de que a avaliação do benefício deve considerar as circunstâncias de cada caso, em vez de tratar todos os presos da mesma maneira.

Lula, no entanto, defendeu que a concessão da saída temporária leve em conta a gravidade dos delitos. Ao citar crimes como estupro, afirmou que condenados por determinadas infrações não devem ser liberados.

“Agora, quem tem que soltar é que tem que analisar”, disse, ao defender que a autoridade responsável avalie quem reúne condições para receber o benefício.

O que diz a legislação sobre a saidinha

A saída temporária é um benefício previsto na legislação penal brasileira, sujeito a requisitos legais. A Lei nº 14.843/2024 alterou as regras e restringiu a concessão de saídas temporárias para visita à família e atividades de reintegração social, mantendo hipóteses específicas previstas em lei, como a frequência a cursos para determinados presos que atendam aos requisitos legais.

Por isso, a defesa de Lula da convivência familiar durante o cumprimento da pena deve ser distinguida das regras atualmente aplicáveis à concessão do benefício. A declaração do presidente expressa uma posição política sobre o tema, mas não altera, por si só, a legislação em vigor.

O debate envolve diferentes aspectos da política criminal: a segurança pública, os direitos das pessoas privadas de liberdade, a prevenção da reincidência e as possibilidades de ressocialização. Na entrevista, Lula enfatizou a importância dos vínculos familiares e da análise individual dos casos.

Ao concluir sua argumentação, o presidente reafirmou sua posição: “Eu continuo defendendo que as pessoas têm que ter o direito de ver seu filho”.

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