Na reta final antes da sabatina no Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou as articulações políticas para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A poucos dias da avaliação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele tem buscado ampliar pontes com diferentes bancadas e reduzir resistências, mesmo diante de um cenário considerado favorável por aliados.
Apesar da avaliação de que já teria votos suficientes para aprovação, Messias se reuniu com senadores ao longo da última semana com o objetivo de consolidar apoios e evitar imprevistos no processo.
Entre os encontros, chamou atenção a tentativa de diálogo com a oposição. O AGU conversou com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, embora o partido já tenha se posicionado contra a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia seguinte, Messias esteve com o senador Eduardo Girão. Segundo Girão, a reunião ocorreu em clima respeitoso, mas sem mudança de posição: o parlamentar reiterou voto contrário ao nome indicado.
O histórico do Senado, no entanto, joga a favor do candidato. Levantamento aponta que a Casa não rejeita uma indicação ao STF desde 1894, o que reforça a expectativa positiva entre aliados.
A sabatina está marcada para o dia 29 de abril na CCJ. Durante a sessão, Messias responderá aos questionamentos dos senadores, e, caso aprovado, seu nome seguirá para votação no plenário, em escrutínio secreto.
Nos bastidores, o advogado-geral tem sinalizado que pretende adotar uma postura conciliadora, evitando confrontos diretos com a oposição. A estratégia, descrita por interlocutores como “paz e amor”, aposta em um tom moderado para atravessar a sabatina sem desgastes.
Aliados afirmam que ele deve centrar sua apresentação em três pilares: serenidade, sobriedade e domínio técnico, buscando se posicionar como um nome capaz de contribuir para a harmonia entre os Poderes.
Outro ponto que deve ser enfatizado é o respeito às atribuições institucionais, especialmente diante de críticas recorrentes sobre uma possível interferência do STF em competências do Congresso Nacional.
Temas sensíveis, como aborto e irregularidades no INSS, devem aparecer nos questionamentos. Evangélico, Messias conta com apoio de parlamentares ligados a grupos religiosos, que veem nele um perfil conservador em pautas de costumes.
Ainda assim, há divergências no Senado sobre o peso desse fator. Parte dos parlamentares considera a religião pouco relevante na decisão, enquanto outros apontam como desgaste um parecer da AGU contrário a uma resolução do Conselho Federal de Medicina sobre a interrupção da gestação após 22 semanas.
Para ser aprovado, Messias precisa de ao menos 41 votos. Aliados projetam um placar entre 48 e 52 apoios, enquanto a oposição trabalha com uma estimativa mais baixa, indicando um cenário menos confortável.