Com a eleição para o Senado confirmada, Rui Costa (PT) já projeta a atuação que pretende exercer em Brasília em favor da Bahia e do segundo mandato de Jerônimo Rodrigues (PT). O ex-governador afirma que pretende usar a experiência acumulada à frente do Executivo estadual para defender investimentos em infraestrutura e evitar, segundo sua avaliação, que o estado volte a enfrentar dificuldades de articulação com o governo federal.
Ao recordar o período em que comandou a Bahia, Rui voltou a mencionar episódios que, de acordo com ele, demonstraram as consequências de uma relação conflituosa entre os governos estadual e federal. A lembrança inclui obras e repasses que, segundo o petista, foram afetados durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não esqueço nem o meio”, afirmou Rui ao resgatar o período em que esteve à frente do governo baiano e destacar a importância de garantir uma interlocução permanente com Brasília.
Infraestrutura como prioridade
Eleito senador neste domingo (4), Rui Costa afirmou que pretende atuar para ampliar a chegada de recursos federais à Bahia, especialmente em obras de infraestrutura. A proposta está alinhada ao discurso que apresentou durante a campanha, quando defendeu investimentos em logística, rodovias, ferrovias e outros projetos estruturantes.
Em discurso durante a campanha, Rui afirmou que a Bahia precisa manter um ciclo de investimentos capaz de alcançar diferentes regiões do estado.
“O povo quer continuar com investimento de infraestrutura para levar para os 4 cantos desse Estado, logística, saúde, mais hospitais, mais escolas de tempo integral”, declarou.
A relação entre os governos federal e estadual também foi apresentada por Rui como um fator relevante para a execução de projetos. Desde que Jerônimo assumiu o governo, o diálogo com Brasília passou a integrar a estratégia de articulação para obras e investimentos.
Críticas ao período Bolsonaro
Durante a campanha, Rui Costa voltou diversas vezes ao período em que governou a Bahia enquanto Jair Bolsonaro estava na Presidência da República. Em setembro, ele citou como exemplos de dificuldades a interrupção de recursos para as obras do metrô de Salvador e a disputa envolvendo repasses federais para UTIs durante a pandemia.
“Eles cortaram o dinheiro do metrô, a obra do metrô de Salvador, metade do dinheiro era da federal, metade estadual. Eles pararam de pagar, não pagaram nada”, afirmou Rui na ocasião.
Sobre a saúde, o petista também declarou que precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal para cobrar repasses federais destinados às UTIs da Bahia durante a pandemia.
“Eles cortaram recursos das UTIs da Bahia na pandemia e eu tive que ir ao STF até a decisão de eles obrigarem a pagar o que era obrigação deles”, disse.
As afirmações fazem parte da avaliação política de Rui sobre a relação entre a Bahia e o governo federal naquele período. O então governo Bolsonaro, por sua vez, tinha sua própria justificativa para as políticas de repasses e investimentos, e as acusações de motivação política feitas por Rui são contestadas no debate político.
Apoio a Jerônimo
Com Jerônimo reeleito governador no primeiro turno, Rui passa a projetar uma atuação no Senado articulada com o Executivo estadual. O petista já vinha defendendo durante a campanha a continuidade da parceria entre os governos federal e baiano.
Em uma caminhada realizada em Alagoinhas, dois dias antes da eleição, Rui destacou a relação entre Jerônimo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao falar sobre investimentos na área da saúde.
“De mãos dadas com Lula, Jerônimo fez história na área da saúde e vai fazer muito mais”, afirmou.
O governador também havia sustentado que sua administração contou com condições diferentes das enfrentadas por Rui durante os dois mandatos anteriores. Em setembro, Jerônimo declarou que o antecessor teve de executar obras e ações que, segundo ele, seriam de responsabilidade federal.
“O Rui governou sozinho”, afirmou Jerônimo, ao comparar os dois períodos.