Seca e influência do El Niño ampliam alerta sobre abastecimento de água na Bahia
O avanço da seca na Bahia, associado à influência do fenômeno El Niño e às perspectivas climáticas para os próximos meses, amplia a preocupação com a disponibilidade de água no estado, especialmente nas regiões do semiárido.
Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontam que, em julho de 2026, 90% do território baiano estava sob algum grau de seca, reforçando a necessidade de medidas preventivas para reduzir os impactos sobre o abastecimento da população.
Embora o El Niño não possa ser apontado isoladamente como responsável pela escassez hídrica, o fenômeno pode contribuir para o agravamento de um cenário que já apresenta déficit de chuvas em diferentes regiões. A combinação de temperaturas elevadas, precipitações irregulares e menor disponibilidade de água exige planejamento e atuação antecipada dos órgãos públicos.
*Dez municípios baianos que merecem atenção*
Considerando principalmente o semiárido baiano, onde a combinação de déficit de chuva, agricultura dependente de precipitação e menor disponibilidade hídrica tende a produzir impactos mais fortes, dez municípios merecem atenção especial:
1. Casa Nova
2. Juazeiro
3. Uauá
4. Canudos
5. Curaçá
6. Monte Santo
7. Euclides da Cunha
8. Jeremoabo
9. Morro do Chapéu
10. Campo Formoso
A relação não representa um ranking oficial dos municípios mais secos da Bahia. Trata-se de uma indicação de localidades que, pelas características climáticas e pela vulnerabilidade aos períodos prolongados de estiagem, devem estar entre as áreas acompanhadas com maior atenção.
O cenário exige que o poder público se antecipe a um eventual agravamento da estiagem. Além do monitoramento de mananciais, reservatórios e sistemas de abastecimento, é necessário identificar as comunidades que poderão enfrentar dificuldades de acesso à água.
Nesse planejamento, a disponibilização de caminhões-pipa deve estar prevista como medida emergencial, especialmente para comunidades rurais e localidades que não contam com sistemas regulares de abastecimento, garantindo que a população não fique desassistida.
A Embasa deve intensificar o acompanhamento dos sistemas de abastecimento, mananciais e reservatórios que atendem os municípios sob maior risco, avaliando alternativas para garantir a continuidade do fornecimento de água.
Já a Defesa Civil Estadual, em articulação com as defesas civis municipais, deve manter atualizados os planos de contingência, com mapeamento das áreas mais vulneráveis e definição de protocolos para uma eventual situação de emergência.
Também são importantes campanhas de uso racional da água, monitoramento permanente dos níveis dos reservatórios, recuperação e ampliação de sistemas de armazenamento e distribuição e identificação de fontes alternativas de abastecimento.
Prevenção para evitar uma crise
O momento exige planejamento e antecipação. A falta de água não deve ser enfrentada somente quando o abastecimento já estiver comprometido.
A articulação entre Governo do Estado, prefeituras, Embasa, Defesa Civil Estadual e municipais e os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos será fundamental para acompanhar a evolução da seca e definir respostas de acordo com a realidade de cada região.
A prioridade deve ser garantir que nenhuma comunidade fique sem acesso à água por falta de planejamento.
Mais do que reagir à falta de água, é necessário se antecipar a ela. A prevenção e o planejamento podem fazer a diferença para proteger a população baiana dos efeitos de uma eventual intensificação da estiagem.