O prefeito de Salvador, Bruno Reis, voltou a criticar a condução das políticas públicas e dos investimentos em infraestrutura na Bahia durante entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metropole, nesta quarta-feira (23). Ao avaliar áreas como segurança, saúde, educação, assistência social e geração de emprego e renda, o prefeito afirmou que o estado teria perdido desempenho nas últimas duas décadas.
“Se a gente analisar cinco principais políticas públicas de qualquer governo, segurança, área social, saúde, educação e geração de emprego e renda, nós estamos ou nas últimas posições ou, se fizer um comparativo, a Bahia só fez piorar nesses últimos 20 anos”, afirmou.
Na entrevista, Bruno Reis defendeu uma concepção de governo baseada no crescimento econômico, na geração de empregos e na ampliação da autonomia financeira da população.
“A gente gera riquezas, desenvolvimento econômico para as pessoas prosperarem, melhorarem de vida. Eu digo sempre que o maior programa social de qualquer governo é crescimento econômico, geração de emprego e renda”, declarou.
O prefeito também criticou o que classificou como uma política excessivamente baseada em assistência social. Segundo ele, a prioridade deveria ser criar condições para que as pessoas conquistem autonomia por meio do trabalho.
“Eles não têm essa visão. A visão deles é assistência, é a pessoa ficar dependendo do poder público, é a pessoa não ter sua autonomia, não ter condições de suas próprias pernas, progredir, prosperar, realizar os seus sonhos através do trabalho”, disse.
Ponte Salvador-Itaparica e Fiol
Ao abordar projetos considerados estratégicos para a economia baiana, Bruno Reis citou a Ponte Salvador-Itaparica, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul e a BR-324.
Sobre a ponte, o prefeito afirmou que o empreendimento acabou se tornando motivo de descrédito. “A ponte Salvador e Itaparica virou uma piada nacional”, declarou.
A obra da Ponte Salvador-Itaparica é um projeto de grande porte concebido para conectar a capital baiana à Ilha de Itaparica e integrar a infraestrutura viária da região. A declaração de Bruno Reis, portanto, expressa uma avaliação política sobre o andamento e os resultados esperados do empreendimento.
Em relação à Fiol, o prefeito afirmou que a ferrovia deveria cumprir papel importante no transporte de grãos produzidos no Oeste e de minério.
“A ferrovia Oeste-Leste, que iria exportar os grãos do Oeste e o minério, que é a Barriga de Minério, está aí capengando”, afirmou.
A situação do projeto é mais complexa do que a declaração resumida na entrevista. A Fiol é dividida em trechos com diferentes modelos de execução e concessão. A Fiol 1, entre Ilhéus e Caetité, está associada ao projeto do Porto Sul e à Bamin. Em junho de 2026, a Agência iNFRA informou que a conclusão da Fiol 1 e do Porto Sul está relacionada à estruturação futura da Fiol 3.
Em julho, também houve avanço no financiamento do Porto Sul: o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante aprovou recursos para o empreendimento, segundo informações divulgadas à época. (Alô Alô Bahia)
Crítica ao Porto Sul
Bruno Reis também questionou o ritmo de implantação do Porto Sul, em Ilhéus.
“Criaram no sul da Bahia a expectativa do Porto Sul, Mário. Nem projeto tem. Em 20 anos não tem uma estaca batida”, afirmou.
A afirmação, porém, contrasta com a situação documental atual do empreendimento. Em julho de 2026, o projeto avançou com aprovação de financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante. Em setembro, o Governo da Bahia também divulgou iniciativas vinculadas ao Termo de Compromisso Socioambiental do Porto Sul. (Bahia.gov.br)
Além disso, em julho, o governo estadual declarou áreas de utilidade pública em Ilhéus destinadas à implantação do complexo portuário. A medida, contudo, não significa, por si só, o início das obras físicas do terminal.
BR-324
No fim da declaração, Bruno Reis criticou as condições da BR-324 e afirmou que a situação da rodovia prejudica o transporte de produtos de e para Salvador.
“O grande exemplo também aqui do lado, a BR-324, que virou um caos, dificulta os produtos chegarem e saírem do nosso porto”, afirmou.