O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), fez críticas à infraestrutura rodoviária e à segurança pública da Bahia durante entrevista ao radialista Mário Kertész, na Rádio Metropole, nesta quarta-feira (23). Ao abordar problemas logísticos enfrentados pelo estado, o prefeito questionou a falta de investimentos e de articulação para melhorar o escoamento da produção agrícola do Oeste baiano.
“Não faz sentido, Mário, os grãos do Oeste serem exportados por Santos, que fica mais distante do que o porto de Salvador, por falta de articulação do governo, de oferecer as condições de infraestrutura”, afirmou.
Bruno Reis citou especialmente a necessidade de duplicação de rodovias, entre elas a BR-242, e comparou a situação da Bahia com trechos da BR-101 em outros estados. Em abril e julho deste ano, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou a entrega de novos trechos duplicados da BR-101 em Sergipe, enquanto obras de duplicação continuam em andamento no estado. (Serviços e Informações do Brasil)
O prefeito também mencionou a situação da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, na BR-101, em Itapebi, no extremo sul da Bahia. Segundo Bruno, a estrutura chegou a uma situação crítica e provocou a necessidade de desvios para o transporte de cargas.
“Eles deixaram quase desabar a ponte, quase acontece uma catástrofe. Então lá você dá uma solução, os caminhões tendo que fazer um desvio. Numa situação assim, é deplorável”, declarou.
O DNIT confirmou que a ponte existente passa por intervenções enquanto uma nova estrutura é construída. Desde março, foram estabelecidas regras específicas para a circulação de veículos durante as obras, incluindo restrições para determinados veículos pesados. (Serviços e Informações do Brasil)
Segurança pública
Na segunda parte da declaração, Bruno Reis direcionou as críticas para a segurança pública e relatou conversas que, segundo ele, tem mantido com lideranças políticas e moradores de municípios do interior.
“Eu converso agora com muitas lideranças do interior, com pessoas que moram em cidades menores da Bahia. Pergunto: como é que está lá? Já tem facção?”, afirmou.
Na sequência, citou a presença de grupos criminosos em diferentes municípios, mencionando BDM, Comando Vermelho e o grupo que chamou de “3.000”.
O prefeito também fez uma comparação com o período em que viveu no interior da Bahia.
“Eu vim do interior, tenho família no interior, Curaçá, Uauá. Lá não tinha isso. Nós tínhamos que dormir de porta aberta em casa, com tranquilidade”, disse.
Bruno Reis afirmou ainda que a Bahia vive atualmente um cenário de violência que, em sua avaliação, gera preocupação entre moradores e lideranças.
“Hoje, infelizmente, nós temos que conviver no estado mais violento do Brasil”, declarou.
A afirmação se refere aos indicadores de violência letal. O Atlas da Violência 2026, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a Bahia teve, em 2024, uma taxa oficial de 40,9 homicídios por 100 mil habitantes, a segunda maior entre os estados naquele indicador, atrás do Amapá. Em números absolutos, entretanto, a Bahia registrou o maior número de homicídios estimados entre os estados.
O levantamento também mostra a forte concentração da violência em municípios baianos: seis das dez cidades brasileiras com maiores taxas de homicídios estimados estavam na Bahia, segundo os dados consolidados pelo Atlas. 
“Sentimento de mudança”
Ao concluir o raciocínio, Bruno Reis relacionou os problemas de infraestrutura e segurança ao cenário político estadual e afirmou perceber um sentimento de mudança entre os baianos.
“Então, eu acho que na Bahia há um sentimento de mudança muito grande, isso é visível em qualquer pesquisa”, afirmou.