O candidato a vice-governador da Bahia, Zé Cocá (PP), defendeu a estratégia adotada por ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo governo estadual e reconheceu a influência eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia. Segundo o prefeito, a decisão de Neto considerou a necessidade de atrair eleitores que também votam no petista.
“Naquele momento, a melhor decisão foi aquela que Neto tomou, e todo mundo sabia disso, inclusive as pessoas mais ligadas a Flávio”, afirmou Zé Cocá, ao comentar o cenário eleitoral baiano.
Na avaliação do prefeito, o resultado do primeiro turno demonstrou a importância de considerar o desempenho de Lula no estado. Ele comparou os percentuais de votação do presidente, de ACM Neto e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para argumentar que parte do eleitorado alinhado ao petista também votou no candidato do União Brasil na disputa estadual.
“Lula teve 66% do voto, Neto teve, Flávio teve 30%. Então, para Neto chegar a 44%, 14% do eleitorado baiano votou com Lula”, declarou.
Zé Cocá também rejeitou a possibilidade de ACM Neto vencer a eleição sem conquistar parte dos eleitores de Lula. “Não adianta a gente sonhar e dizer que não precisava do voto Lula-Neto para ganhar a eleição”, afirmou.
Prefeito cobra debate sobre pautas da Bahia
Ao analisar o cenário político estadual, Zé Cocá defendeu que uma mudança na Bahia depende também de transformações no cenário nacional. “Você só vai mudar a Bahia quando você muda o Brasil”, disse.
O prefeito também criticou a ausência, segundo sua avaliação, de um debate mais consistente sobre as demandas baianas nos últimos anos. Ele afirmou que Lula mantém forte influência no estado há cerca de duas décadas e cobrou maior discussão sobre as pautas locais.
“Lula tem 20 anos, ninguém tentando na Bahia enfrentá-lo, debater as pautas baianas, como aconteceu em outros estados, inclusive do Nordeste”, declarou.
As declarações ocorrem em meio às articulações para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).