O deputado estadual Emerson Penalva (PP) afirmou, durante entrevista à rádio Baiana FM nesta terça-feira (4), que o apoio de prefeitos é relevante em uma eleição, mas não determina necessariamente o resultado das urnas. A declaração ocorreu ao comentar o cenário da disputa pelo Governo da Bahia e a força política do grupo do governador Jerônimo Rodrigues, que, segundo a pergunta feita ao parlamentar, teria o apoio de quase 300 prefeitos.
Penalva saiu em defesa de ACM Neto ao explicar uma declaração do ex-prefeito de Salvador sobre a quantidade de prefeitos apoiando sua eventual candidatura ao governo estadual.
“O que importa pra mim é o povo. Prefeito não dá o voto que o povo dá”, afirmou Penalva, ao resumir a interpretação que faz da declaração de Neto.
Para o deputado, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e demais lideranças políticas têm importância em qualquer processo eleitoral, especialmente na construção das alianças. No entanto, ele ressaltou que o apoio de uma liderança municipal não significa necessariamente que todos os eleitores daquela cidade votarão no candidato apoiado pelo prefeito.
“Todo político, toda liderança política, prefeito, ex-prefeito, vereador, todos são importantes em qualquer processo eleitoral. E de construção”, declarou.
Penalva diz que Neto foi “provocado”
Ao defender ACM Neto, Penalva afirmou que a declaração sobre o número de prefeitos ocorreu em resposta a uma provocação relacionada à quantidade de gestores municipais que estariam apoiando cada grupo político.
“Uma defesa aqui que eu quero fazer a ACM Neto: ele foi provocado dizendo que ele não tinha o número de prefeitos. Você não tem o número de prefeitos para ganhar a eleição. Que o outro lado tem. Então a resposta dele foi nesse contexto”, explicou.
Segundo Penalva, a intenção de Neto teria sido destacar que uma eleição não é decidida apenas pelo número de prefeitos aliados, mas também pela escolha direta dos eleitores.
“Então ele quis dizer que às vezes o povo escolhe o candidato que não é aquele que o prefeito naquele momento está escolhendo”, afirmou.
Deputado cita eleições de 1986 e 2006
Para sustentar sua interpretação, Penalva citou as eleições estaduais de 1986 e 2006, mencionando as vitórias de Waldir Pires e Jaques Wagner como exemplos de disputas em que, segundo ele, o número de prefeitos aliados não teria sido determinante para o resultado.
“Como foi o caso em 1986 e em 2006 com Waldir Pires e Jaques Wagner”, disse.
O parlamentar também reforçou que não considera correta uma interpretação de que ACM Neto estaria desvalorizando os prefeitos.
“Até porque ele já foi prefeito, ele sabe a importância de ser prefeito. E ele já disse publicamente isso”, afirmou.
Penalva concluiu dizendo acreditar que a declaração acabou sendo utilizada politicamente pelo grupo adversário.
“Eu acho que isso aí foi um fortalecimento da narrativa, que o grupo do governador Jerônimo é muito expert e tem excelência em narrativas”, declarou.