Santiago Peña é preso após impeachment e crise bancária no Paraguai

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Após impeachment, ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña é preso em meio a crise bancária

A crise política e financeira que atingiu o Paraguai teve um novo desdobramento nesta sexta-feira (6). O Senado aprovou o impeachment de Santiago Peña, que deixou a Presidência após uma votação unânime, com 44 votos favoráveis. Horas depois, o ex-mandatário foi detido por determinação do Ministério Público, em uma investigação relacionada ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira com a qual manteve vínculos empresariais.

Inicialmente, Peña foi colocado em prisão domiciliar, em sua residência, em Assunção. A ordem de detenção também alcançou Carlos Dagoberto Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio. Neste sábado (7), segundo a imprensa local, Peña foi transferido para uma unidade especial das Forças Armadas e deverá comparecer ao Ministério Público para prestar esclarecimentos.

A destituição ocorreu mesmo depois de o então presidente anunciar sua renúncia na quinta-feira (5). A decisão foi tomada em meio ao agravamento da crise envolvendo o Ueno Bank, que teve suas atividades interrompidas após uma intervenção do Banco Central, deixando milhões de clientes sem acesso aos recursos mantidos na instituição.

Peña, eleito em 2023, foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A ligação empresarial passou a ser um dos principais pontos de questionamento durante a crise. Parlamentares da oposição acusaram o governo de conflito de interesses, interferência na fiscalização financeira e irregularidades envolvendo recursos públicos e fundos previdenciários. As suspeitas são alvo de investigação e ainda deverão ser apuradas pela Justiça.

Mesmo com o anúncio de renúncia, o Congresso deu continuidade ao processo de impeachment. A saída voluntária do cargo dependia de aprovação parlamentar, mas a questão não foi concluída antes da votação que resultou na destituição de Peña.

Carta de despedida

Após a aprovação do impeachment, Santiago Peña publicou uma mensagem nas redes sociais para se despedir do cargo. No texto, afirmou que sua intenção ao apresentar a renúncia era evitar novos prejuízos ao país e contribuir para restabelecer a tranquilidade política.

“Não quero que a minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal”, declarou.

O ex-presidente também defendeu a união dos paraguaios e a reconstrução das instituições públicas, em meio à crise que provocou forte repercussão no cenário político nacional.

Peña não compareceu pessoalmente à sessão de impeachment e foi representado por seus advogados. Em outro trecho da mensagem, agradeceu pelo período em que esteve à frente do Executivo e reconheceu a preocupação da população diante dos acontecimentos.

“Me despeço com gratidão, sem desconhecer a angústia de quem hoje espera respostas. É o momento de unir esforços para reconstruir a institucionalidade e atender, com fatos e responsabilidades, a quem está afetado”, afirmou.

Com a destituição de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. Enquanto isso, as investigações sobre o colapso do Ueno Bank e as possíveis responsabilidades de antigos integrantes do governo seguem em andamento.

Compartilhe:

Siga a gente Instagram | Facebook | Twitter | Youtube

LEIA TAMBÉM

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

error: Conteúdo protegido.