Redução da jornada preocupa indústria e pode afetar competitividade, diz FIEB

Foto: Divulgação
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O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Carlos Henrique Passos, afirmou nesta quinta-feira (9) que a proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil levanta preocupações no setor industrial, especialmente pelos possíveis efeitos sobre custos e capacidade de competição das empresas no mercado global.

 

A declaração foi dada durante entrevista à imprensa, em Salvador, no contexto da posse do desembargador Maurício Kertzman Szporer no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.

 

Segundo ele, o debate sobre a jornada de trabalho precisa considerar os efeitos econômicos mais amplos e não apenas a comparação entre modelos de escala. “É um assunto que preocupa muito a indústria, é um assunto que afeta a competitividade da indústria”, afirmou.

 

O dirigente explicou que a discussão vai além da escala 6×1 ou 5×2, envolvendo a redução da carga horária semanal total. “Quando a gente fala jornada 6×1 e compara com a Jornada 5×2, 4×3, não dá dimensão de problema. A verdadeira dimensão do problema é a redução da jornada semanal”, disse.

 

Passos destacou que a jornada atual no Brasil é de 44 horas semanais e que algumas propostas preveem reduções para até 36 horas. “Fazer isso sem reduzir o salário das pessoas significa dizer que as empresas, para manter seu nível de produção, vão ter que contratar mais pessoas”, afirmou.

 

Ele ponderou que essa mudança poderia ter impacto direto nos custos de produção e, consequentemente, nos preços ao consumidor. “Então qual é a consequência disso? Nós vamos ter produtos mais caros”, disse.

 

O presidente da FIEB também comparou a realidade brasileira com a de outros países, citando a China como exemplo de maior carga horária e competitividade industrial. “A jornada na China é 9h, 9h e meia. Entrar 9h, sair 9h, 6 dias por semana. Se nós apurarmos isso dá 48 horas”, afirmou.

 

Para ele, diferenças de jornada entre países afetam diretamente a concorrência internacional. “Como é que nossa indústria aqui pode competir com um país que trabalha mais, que tem mais tecnologia? Nós não vamos poder segurar”, declarou.

 

Passos avaliou ainda que a tendência, caso a proposta avance sem ajustes, pode ser de redução de empregos formais. “Vai acontecer uma redução de emprego. Ao invés de haver um aumento de emprego, vai haver uma redução de emprego”, disse.

 

Por fim, ele defendeu que o tema seja amplamente debatido entre setores produtivos e trabalhadores, em alinhamento com entidades como a Confederação Nacional da Indústria. “Por isso que a CNI e a FIEB defendem que esse assunto precisa de uma discussão, de uma maturidade”, afirmou, acrescentando que experiências internacionais de redução de jornada ocorreram, em sua maioria, por meio de acordos coletivos entre empresas e empregados.

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