O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, defendeu uma “operação de guerra” imediata para garantir o abastecimento de água nos municípios que poderão enfrentar maiores dificuldades diante dos efeitos das mudanças climáticas e do El Niño no Nordeste. O gestor participou nesta segunda-feira (24) do Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026-2027, encontro regional promovido virtualmente pela Secretaria de Relações Institucionais do Governo Federal.
“Precisamos estar preparados para agir antes que a emergência aconteça e garantir que os municípios que mais precisam tenham o apoio necessário”, resumiu o presidente da UPB. Entre as medidas apontadas estão acontratação de carros-pipa, a ampliação dos sistemas de abastecimento e a instalação de poços já perfurados, com prioridade para as localidades mais vulneráveis do semiárido baiano e para a agricultura familiar. O gestor, que também é prefeito de Andaraí, defendeu ainda um olhar diferenciado para os municípios de menores receitas, que dependem das transferências constitucionais para manter ações e serviços básicos.
Wilson Cardoso também sugeriu o fortalecimento da articulação em rede para proteger a agricultura familiar e combater incêndios florestais, citando iniciativas municipais como a utilização de drones para identificar focos de incêndio e áreas de risco, além da necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento e prevenção.
Nesse sentido, o presidente da UPB ressaltou a relevância de ações de desburocratização, a exemplo do Cartão Defesa Civil, criado em 2011, como instrumento para dar mais agilidade à atuação dos municípios, com recursos destinados às ações de socorro e assistência em situações emergenciais. Para ele, “União, Estado e municípios precisam estar de mãos dadas e trabalhando de forma integrada, compartilhando informações, estruturas e recursos”.
A UPB também propôs uma atuação interfederativapara agilizar os casos de decretação de situação de emergência e desburocratizar a liberação de medidas de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. Como parte dessa mobilização, a entidade realizará, em parceria com a Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Presidência da República, no próximo dia 1º de setembro, das 9h às 12h, em sua sede, uma reunião voltada à preparação dos municípios baianos para os possíveis efeitos do El Niño.
A agenda reunirá prefeitos, prefeitas, secretários municipais e gestores das Defesas Civis, com a participação da Casa Civil, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e de outros ministérios relacionados ao tema. Durante o encontro, o Governo Federal apresentará o Painel El Niño, com informações e orientações para apoiar o planejamento das prefeituras, o monitoramento de riscos e a capacidade de resposta diante de eventuais emergências.
Para Wilson Cardoso, a iniciativa reforça o papel da UPB na articulação e mobilização dos municípios, aproximando as gestões locais dos órgãos estaduais e federais e permitindo que medidas de prevenção sejam discutidas e organizadas antes do agravamento dos efeitos climáticos.
O presidente da UPB aprovou o posicionamento do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que destacou a estratégia federal baseada em trêspilares: diagnosticar, integrar e harmonizar as ações, considerando as particularidades de cada região. Segundo o ministro, a atuação articulada, sob coordenação da Casa Civil, deverá garantir que as políticas públicas cheguem de forma efetiva a todas as localidades. “É muito importante que as ações sejam feitas diretamente com os municípios, prefeitos e prefeitas. Portanto, essa integração vem para nortear as ações do nosso governo”, afirmou Guimarães.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, reforçou a necessidade de preparação conjunta para os possíveis efeitos do El Niño e das mudanças climáticas. Segundo Belchior, desde 2023 o Governo Federal vem adotando medidas estruturantes, especialmente nas áreas de infraestrutura e segurança hídrica, com atenção especial ao Nordeste. De acordo com a ministra, um dos principais desafios é comunicar à sociedade o que pode ser esperado do fenômeno. Ela também destacou que o planejamento antecipado e a integração entre União, estados e municípios são fundamentais para que o país esteja mais preparado para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e proteger a população.
Ao final, Wilson Cardoso reforçou que o enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas exige união, planejamento e antecipação. “Municípios, Estado e União precisam andar de mãos dadas, antecipando ações e somando esforços para que possamos agir antes que a emergência aconteça. É com planejamento, integração e apoio direto aos municípios que conseguiremos proteger a população e reduzir os impactos”, concluiu.