O presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou nesta quarta-feira (29), em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, as profundas desigualdades na distribuição de receitas entre os municípios baianos e defendeu mudanças no modelo de repasses federais.
Ao comentar a percepção de que algumas cidades estariam “nadando em dinheiro”, Wilson Cardoso citou o caso de São Francisco do Conde, município com alta arrecadação, impulsionada principalmente por royalties do petróleo. Segundo ele, a receita local chega a superar a soma de dezenas de pequenas cidades.
Por outro lado, o presidente da UPB ressaltou que a realidade da maioria dos municípios é completamente diferente. “Temos cerca de 258 cidades que vivem praticamente apenas de repasses constitucionais, sem comércio forte, sem indústria e sem grande produção agrícola”, afirmou.
Wilson Cardoso criticou o atual modelo de distribuição de recursos, que leva em consideração principalmente o número de habitantes, sem considerar fatores como extensão territorial e custos operacionais. “É uma injustiça. Há municípios pequenos, com pouca população, mas com áreas enormes, o que encarece muito a prestação de serviços públicos”, disse.
Ele destacou dificuldades enfrentadas por essas cidades, como a manutenção de estradas vicinais, essenciais para o transporte escolar, escoamento da produção rural e acesso à saúde. “O custo é muito alto e essas prefeituras não têm estrutura financeira para dar conta”, explicou.
O dirigente afirmou que a UPB pretende intensificar o debate em Brasília sobre a necessidade de revisão do pacto federativo. “Precisamos de um novo modelo que leve em conta não só a população, mas também a realidade territorial e econômica dos municípios”, concluiu.