O vice-presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Paulo Cavalcante, participou da 8ª edição da Expotech nesta sexta-feira (24), realizada no Senai Cimatec, em Salvador. Durante seu discurso para fornecedores dos setores de saneantes, cosméticos e tintas, o dirigente fez um alerta sobre as assimetrias e exigências regulatórias impostas às empresas brasileiras em comparação com os itens importados.
Cavalcante enfatizou que a disparidade no cumprimento de regras estatais e fiscais tem empurrado parte dos empreendedores para a informalidade, além de expor o mercado interno a mercadorias de origem duvidosa e sem as mesmas garantias ambientais e trabalhistas exigidas no país.
"E mais uma vez recai no produto nacional todo um processo que o problema não é o controle, o problema é o custo do controle. E leva, inclusive, uma parte, uma parte pelo menos, à informalidade, porque não tem essa capacidade de acompanhar os controles estatais e prefere ficar à margem disso do que ficar nisso. Mas aqueles que ficam, eles têm que competir com produtos cuja origem a gente não tem muita segurança, se tem ou não tem."
Para ilustrar o impacto direto do desequilíbrio competitivo na economia local, o vice-presidente citou o caso da fabricação de pneus na Bahia, que perdeu espaço na cadeia de reposição para concorrentes asiáticos devido às severas exigências de logística reversa aplicadas apenas às fábricas instaladas no Brasil.
"Nós temos na Bahia uma indústria grande que é a indústria de produção de pneus. Eu já participei de inúmeras reuniões em que hoje pneu no Brasil só se consegue vender para a indústria de automóveis. Ela não consegue mais vender para a indústria de reposição. Perdeu para quem? Para o asiático. Por que perdeu para o asiático? Porque a indústria de pneus no Brasil, além de várias outras regras, ela é obrigada a comprovar que ela tem mecanismo da logística reversa. Mas o Brasil na reposição do pneu compra pneu de um lugar que eu não sei como produziu e que vem para cá e não tem essa obrigação. Então, como é que você compete quando você tem condições de competitividade desiguais?"
Por fim, o representante da Associação Comercial defendeu a desburocratização dos processos produtivos e ressaltou que a falta de estímulo e proteção à indústria nacional expõe o país a riscos de desabastecimento em momentos de crise global.
"A indústria brasileira, de uma forma geral, está sendo desafiada, não só por conta de um juros elevado, mas de um controle burocrático, que é importante. Ninguém é contra burocracia, nós somos contra excesso de burocracia, somos contra o custo para ter uma burocracia, mas ele tem que ser protegido com o controle igual daquilo que a gente compra lá fora. Só que a gente perde o estímulo de produzir aqui para produzir lá fora. E aí a gente vai chegar à conclusão, chegando no tempo de 2020, no Covid, que nós não tínhamos produção local de produtos básicos, como uma máscara, uma luva, para não falar de respirador, coisa mais complexa."