O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, defendeu que o partido mantenha diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sem condicionar uma eventual aproximação à ocupação de cargos na administração federal. Em entrevista, o dirigente afirmou que a legenda ainda não definiu oficialmente seu posicionamento para o próximo mandato e que cada integrante tem autonomia para defender sua posição.
Questionado sobre a possibilidade de os 87 deputados federais do União Brasil e do PP integrarem a base governista, ACM Neto afirmou que a direção partidária ainda não reuniu seus membros para discutir a estratégia. Ele ressaltou, porém, que, caso sua opinião prevaleça, a legenda deverá priorizar o debate sobre os rumos do país, especialmente na área econômica.
“Se depender de mim, o partido não negocia cargos. Eu nunca fiz política negociando cargos. Acho que o partido deve estar aberto a dialogar sobre a agenda do Brasil. Não é razoável você desconsiderar o que está acontecendo, sobretudo na economia brasileira”, declarou.
O ex-prefeito de Salvador ponderou que a decisão será tomada coletivamente e admitiu que a maioria do partido poderá optar por outro caminho, como ocorreu na legislatura anterior, quando integrantes do União Brasil ocuparam ministérios no governo Lula. Ele também destacou que a participação de integrantes da legenda na administração federal não significou apoio eleitoral ao petista.
“A despeito de o União Brasil em algum momento ter tido três posições no governo Lula, isso não significou apoio eleitoral. O partido, no primeiro turno dessa eleição, não teve candidato e, no segundo turno, apoiou formalmente a candidatura de Flávio a presidente”, afirmou.
ACM Neto também reafirmou que pretende manter uma postura de oposição ao PT nas esferas nacional e estadual. Segundo ele, a posição não impede que o União Brasil dialogue sobre propostas e medidas relacionadas aos interesses do país.
“Eu estarei na oposição, na oposição nacional e estadual, farei oposição ao PT, não vou deixar de trazer todas as críticas que achar necessárias para a construção de um país e de uma Bahia melhor”, disse.