A versão apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT) para justificar a origem do dinheiro em espécie apreendido durante a Operação Compliance Zero passou a ser contestada por integrantes da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas neste sábado (27), investigadores envolvidos na ação negam que os valores estivessem acondicionados em envelopes do Senado Federal, como afirmou o parlamentar em entrevista recente.
De acordo com fontes da PF ouvidas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, não havia qualquer envelope da Casa Legislativa no quarto de hotel onde foram encontrados os maços de dólares e euros fotografados durante a operação. Os investigadores sustentam que a descrição feita por Wagner não corresponde ao cenário encontrado no momento da apreensão.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o senador afirmou que os recursos seriam provenientes de diárias recebidas ao longo de missões oficiais no exterior e declarou que, "seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram". A declaração foi rebatida pela Polícia Federal, que afirma não haver registros da existência desses envelopes no local.
Outro ponto levantado pela investigação diz respeito ao montante apreendido. Conforme informações divulgadas, foram encontrados US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador. Segundo os investigadores, o total supera o valor das diárias internacionais recebidas por Wagner desde 2019, o que levou a PF a questionar a compatibilidade entre a explicação apresentada e os valores localizados.
A apreensão ocorreu durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A autorização para a operação foi concedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação também apura suspeitas de vantagens indevidas atribuídas ao senador, hipótese negada por Jaques Wagner, que afirma não ser réu nem denunciado e diz permanecer à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.