'Marmanjo' que recebe Bolsa Família será obrigado a aceitar vaga de emprego, diz Zema

Foto: Divulgação
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O pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo), prometeu nesta quinta-feira (16) que, se eleito, obrigará “marmanjões do Bolsa Família” a trabalhar. Na economia, o programa de Zema defende corte de gastos, redução de impostos e um choque de investimentos privados no setor de infraestrutura. Ele lançou as diretrizes do seu plano de governo em um evento em São Paulo sob o mote “O Brasil sem intocáveis”

Existem vagas hoje que não são preenchidas por causa de como o Bolsa Família está desenhado”, declarou. “Marmanjões de 20, 30 anos, o dia todo deitado no sofá, jogando videogame, na rede social. Emprego tem. Eu vou fazer quem recebe Bolsa Família e é do sexo masculino, novo, saudável, ser obrigado a aceitar propostas de emprego. Ou então ter o benefício cortado“, continuou Zema.

A proposta é que, caso a pessoa não tenha emprego, ajude de forma voluntária na prefeitura da respectiva cidade. “Não todo dia, mas um ou dois dias por semana. E também terá que concluir um curso”, finalizou.

Outra proposta na área econômica é “privatizar tudo“, conforme defendeu o economista Carlos da Costa, que cuida dessa parte do plano, em relação às empresas estatais.

A promessa contrasta com o que foi a gestão de Zema em Minas Gerais. O governador assumiu em 2019 com a promessa de privatizar as estatais mineiras. Quase oito anos depois, ele não conseguiu concretizar a venda de Cemig, Copasa e Gasmig, principais empresas públicas do Estado.

“Novo STF”

Zema também disse que sua primeira medida no governo federal será propor ao Congresso Nacional um “novo” Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defendeu a prisão de “dois ministros”.

“Esse exemplo que está lá hoje, é para o Brasil mergulhar na criminalidade, no banditismo e na corrupção. É para isso que está servindo o exemplo do senhor Alexandre de Moraes e Dias Toffoli“, disse Zema.

“A direção do plano é clara: a primeira coisa que eu vou fazer é acabar com a farra dos intocáveis. Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo, em que seus membros prestem contas de seus atos”, disse Zema durante o discurso.

Como antecipou a Coluna do Estadão, o ex-governador de Minas defendeu que parentes de ministros do STF sejam proibidos de ter negócios jurídicos e que sejam estabelecidos idade mínima de 60 anos para indicação à Corte e mandato de 15 anos. “Um novo Supremo é um primeiro passo para um programa de moralização do Judiciário”, continuou ele.

Zema afirmou ainda que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem “rabo preso” e, por isso, está impedindo as investigações sobre ministros do STF de avançarem. Também o chamou de “presidente engavetador” de investigações.

“Precisamos não só tirar dois ministros de lá (STF), pelo que já se viu até agora, como também mandá-los para a prisão em nome de uma democracia que pune quem cometeu crimes”, afirmou o ex-governador de Minas Gerais.

O cientista político Luiz Felipe D’Ávila, que foi candidato a presidente pelo Novo em 2022 e agora contribui com o programa de Zema, disse que o objetivo das medidas é restabelecer a “função constitucional do STF”, fazendo com que a Corte volte a ser uma intérprete da Constituição. “Não existe artigo que permita ao STF legislar”, afirmou.

Outras propostas nesta área são acabar com as decisões monocráticas e proibir a nomeação de parentes de políticos e magistrados para cargos nos tribunais de contas estaduais..

Bate-boca público

Zema se envolveu em um bate-boca público nos últimos dias com o ministro do STF Gilmar Mendes após dizer que o Brasil vive “crise moral” e que ministros do STF protagonizam a “farra dos intocáveis”.

Em resposta, Gilmar disse ser “irônico” Zema criticar a Corte que deu decisões favoráveis à renegociação da dívida de Minas Gerais durante a gestão do ex-governador. Na tréplica, Zema rebateu, declarando que achava que a decisão tinha fundamentos jurídicos, mas que, após a fala do ministro, descobriu que foi uma tentativa de torná-lo submisso a Gilmar “pelo resto da vida”.

As pesquisas apontam que Zema tem tido dificuldades em se apresentar de forma competitiva como uma alternativa à polarização representada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na última pesquisa Quaest, ele registrou 3% das intenções de voto, empatado na margem de erro com Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).

Neste cenário, aliados do ex-governador comemoraram a postura de Gilmar. A avaliação é que o ministro colocou Zema em evidência justamente em um tema em que a imagem do STF está desgastada perante a população por causa do caso do Banco Master.

Reservadamente, um correligionário do ex-governador brincou que Gilmar se tornou o “camisa 10” da candidatura de Zema – uma brincadeira que surgiu no ano passado quando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu o tarifaço, contribuindo para a recuperação da popularidade de Lula à época.

O entorno de Zema afirma que ele vai até o final com a candidatura, a despeito das pesquisas. Reconhecem, porém, que ele conversou com Flávio Bolsonaro sobre uma possível vice e dizem que a articulação não avançou neste momento.

Questionado, o pré-candidato disse que a prioridade é sua candidatura e citou uma conversa com Jair Bolsonaro (PL) para se justificar. “Ele me disse que quanto mais candidatos à direita tiver, melhor, porque mais difícil vai ficar para o PT direcionar os ataques a um só candidato. Agora, no segundo turno, estaremos todos juntos”, disse.

O pré-candidato do Novo prometeu também enquadrar facções criminosas como organizações terroristas e reduzir a maioridade penal, atualmente em 18 anos. “Crime de adulto vai ter pena de adulto”, afirmou..

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