A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, destacou nesta quinta-feira (30), em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia, que o fortalecimento do turismo no estado depende de fatores que vão além da promoção de eventos. Segundo a dirigente, embora o setor de serviços responda por 70% dos empregos formais em Salvador, a manutenção dessa pujança exige o enfrentamento direto da crise de segurança pública e a melhoria do ordenamento urbano.
Para Isabela, o turismo tem se diversificado para segmentos como o wellness (bem-estar), atraindo um grande fluxo de visitantes nacionais, mas o crescimento esbarra em dificuldades operacionais enfrentadas pelos micro e pequenos empresários. Ela ressaltou que o setor de bares e restaurantes tem sido o mais impactado pela sensação de insegurança, o que altera o dinamismo econômico da capital.
"Não existe milagre. Para que o setor continue pujante, a gente precisa oferecer as condições mínimas. A segurança pública é a reclamação número um. É muito comum hoje você andar pela cidade e ver bairros fecharem mais cedo. Falo isso como presidente da ACB, onde defendemos o micro e pequeno empresário, que sofre com essa crise que vivemos", afirmou a presidente.
Além da segurança, Isabela defendeu que o sucesso de destinos turísticos, tanto em Salvador quanto no interior, está atrelado à capacidade da gestão pública de organizar o espaço urbano. Ela citou as intervenções na Ilha dos Frades e em Bom Jesus dos Passos, realizadas em parceria com a prefeitura, como exemplos positivos onde o ordenamento permitiu vencer a sazonalidade.
"Só agenda não funciona. Os outros quesitos precisam estar em dia para que a coisa rode bem e você garanta a sustentabilidade. Como está o ordenamento urbano daquele lugar? Está sendo organizado? A gente precisa fazer o dever de casa. Na medida em que ordenamos e criamos uma agenda, as vagas acabam e o setor cresce significativamente", pontuou.
Isabela Suarez também lembrou que a Bahia recebe anualmente entre 4 e 5 milhões de turistas brasileiros, contra cerca de 200 mil estrangeiros, o que reforça a importância de garantir infraestrutura de qualidade para consolidar o fluxo regional e nacional.