Gerente chinês agride funcionário brasileiro com borracha de geladeira e 1.200 trabalhadores param fábrica

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A unidade industrial da fabricante de eletrodomésticos Midea, localizada no município de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, teve suas operações integralmente paralisadas nesta terça-feira (23). O movimento de greve espontânea foi deflagrado após a denúncia de que um trabalhador brasileiro foi agredido fisicamente por um gestor de nacionalidade chinesa dentro das dependências da planta fabril. Em resposta imediata ao ocorrido, um contingente de aproximadamente 1.200 funcionários cruzaram os braços e montaram um piquete de protesto na portaria da empresa. O episódio gerou indignação coletiva entre os operários da linha de montagem e serviu de estopim para a formalização de uma série de queixas acumuladas sobre assédio moral e condições laborais severas na unidade.

Conforme os relatórios apresentados pelo Sindicato dos Metalúrgicos da região, o operário foi abruptamente retirado do seu posto na linha de produção pelo supervisor estrangeiro e agredido fisicamente com o uso de uma borracha de vedação de geladeira — principal item manufaturado na planta mineira. Durante as manifestações na porta da fábrica, lideranças sindicais e comissões de trabalhadores subiram ao carro de som para exigir punição rigorosa ao agressor e a revisão imediata dos protocolos de compliance da multinacional. Os trabalhadores enfatizaram que a cessão de mão de obra fabril está respaldada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que não tolerarão abusos de autoridade ou o rebaixamento da dignidade humana no ambiente corporativo.

A direção global da Midea emitiu uma nota oficial informando que determinou o afastamento preventivo e imediato do gestor denunciado e reiterou que possui políticas internas rígidas que proíbem qualquer forma de violência física, verbal ou assédio moral. Contudo, o tensionamento sindical na planta de Pouso Alegre reacendeu debates macroeconômicos e geopolíticos sobre o modelo de atração de investimentos estrangeiros diretos promovido pelo governo federal. Críticos e analistas trabalhistas apontam que a política externa de aproximação comercial com Pequim e a abertura do mercado nacional para conglomerados chineses necessitam de mecanismos de fiscalização mais robustos por parte do Ministério do Trabalho e Emprego, garantindo que as empresas internacionais adaptem-se rigorosamente à legislação e à cultura trabalhista do Brasil.

“As trabalhadoras e os trabalhadores estão em protesto contra a postura do gestor chinês. O gestor chinês pegou o trabalhador na linha de produção e veio agredir o trabalhador com uma borracha de geladeira. Não pode, aqui no Sul de Minas e muito menos aqui no Brasil. A escravidão já se passou há muitos anos, então não podemos aceitar. Nós estamos aqui para vender a nossa mão de obra e não para ser humilhados. Se nós abaixarmos a cabeça e não conversarmos entre nós, o que aconteceu vai virar rotina. Aqui dentro da empresa tem trabalhador e trabalhadora brasileira”, discursaram os representantes dos trabalhadores e membros do Sindicato dos Metalúrgicos durante a assembleia geral que chancelou a paralisação por tempo indeterminado até a conclusão da auditoria interna da empresa.

Compartilhe:

Siga a gente Instagram | Facebook | Twitter | Youtube

LEIA TAMBÉM

PUBLICIDADE

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

error: Conteúdo protegido.