A inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes — e, para Manoel Calazans, o caminho das escolas não deve ser tentar impedir o avanço da tecnologia, mas ensinar os alunos a utilizá-la com responsabilidade. O representante da Secretaria da Educação do Estado (SEC-BA) defendeu uma abordagem crítica sobre as ferramentas de IA e afirmou que o tema será um dos debates da 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica).
Durante o lançamento do evento, realizado nesta quarta-feira (2), no Auditório Kátia Mattoso, em Salvador, Calazans afirmou que professores precisam incorporar a discussão sobre inteligência artificial ao ambiente escolar. Para ele, a tecnologia deve ser compreendida como uma ferramenta que pode auxiliar o aprendizado, mas não substituir a produção intelectual dos estudantes.
“Essa edição traz a temática da inteligência artificial, que é algo que as escolas já estão convivendo com isso. E a gente pede que os professores insiram nos currículos, porque a gente não vai ser contra a inteligência artificial, a gente não vai lutar contra. Mas a gente vai separar o joio do trigo”, declarou.
O gestor chamou atenção para a diferença entre utilizar a inteligência artificial como apoio e delegar integralmente à ferramenta uma atividade que deveria ser desenvolvida pelo próprio aluno.
Segundo Calazans, recursos tecnológicos podem contribuir, por exemplo, na revisão de um conteúdo produzido pelo estudante. O problema aparece quando a ferramenta passa a ser responsável pela elaboração completa do trabalho, retirando do aluno a oportunidade de desenvolver escrita, raciocínio e argumentação.
“Uma coisa é você revisar um texto, outra coisa é você copiar e você ter da inteligência artificial, né, a fonte, a produção do texto. Então fica muito artificial e a escola precisa ter esse diálogo com os estudantes. E na Flica a gente também vai debater isso”, sustentou.
A discussão sobre os limites do uso da inteligência artificial na educação entra, dessa forma, na programação da Flica como um dos assuntos ligados às transformações provocadas pelas novas tecnologias. A proposta é levar o debate para além da questão sobre usar ou não as ferramentas, abordando como estudantes e professores podem lidar com elas de maneira consciente.