Erika Hilton não descarta disputar Presidência: ‘Quem sabe, vou estar pronta’

Foto: Divulgação
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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que ainda não considera uma candidatura à Presidência da República, mas não descartou a possibilidade no futuro. Durante entrevista à imprensa nesta quarta-feira (21), em Salvador, a parlamentar disse que ainda não refletiu sobre o assunto e destacou que não tem idade para concorrer ao cargo.

“Eu não vou dizer da minha vontade, porque eu não pensei ainda sobre isso. Eu não tenho idade ainda nem para ser candidata a presidenta do Brasil”, declarou durante o evento “Samba da Democracia”, realizado na sede do PT Bahia, no bairro do Rio Vermelho.

Ao comentar os questionamentos sobre uma eventual candidatura, Erika mencionou o processo político enfrentado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e os desafios que poderia enfrentar caso disputasse o cargo. “E quando eu penso no que foi o processo com a presidenta Dilma, eu fico: ‘Meu Deus, o que será de mim?’”, afirmou.

A deputada também destacou o racismo, a homofobia e a transfobia como obstáculos à participação política no Brasil. Para ela, a presença de uma mulher negra e travesti em espaços de poder ainda é marcada por hostilidade e preconceito.

“Eu acho isso muito curioso, porque a gente tá falando de um país ainda extremamente LGBTfóbico, um país que ainda é profundamente racista, um país que ainda trata a presença do meu corpo na política com muita hostilidade”, disse.

Erika também relatou as dificuldades enfrentadas por mulheres negras e travestis para ocupar espaços de poder e apontou a exclusão social vivenciada por essa população. “O Brasil é o país que mata com requintes de crueldade mulheres como eu. O Brasil é o país que nega a mulheres como eu a escolaridade, a família, o trabalho, o afeto, a religiosidade”, declarou.

Ao abordar a possibilidade de chegar à Presidência, a parlamentar afirmou que o simbolismo de imaginar uma mulher negra e travesti no cargo é mais importante, neste momento, do que a confirmação de uma candidatura. Segundo ela, essa perspectiva pode ampliar as possibilidades de participação política e renovar a esperança de pessoas historicamente marginalizadas.

“Eu acho que o mais importante não é se eu serei, ou se uma como eu será, porque isso é importante, mas é secundário diante da possibilidade de devolver o sonho, a esperança para as pessoas”, afirmou.

A deputada incentivou pessoas que historicamente foram excluídas da política a imaginarem novas possibilidades de ocupar espaços de liderança. Sobre uma eventual candidatura presidencial, deixou a decisão em aberto. “Então que a gente sonhe, que a gente se imagine em lugares que para nós eram impensáveis, porque isso impulsiona as possibilidades. E aí, se chegar a esse momento, quem sabe, vou estar pronta, porque eu não fujo da raia”, concluiu.

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