A disputa por uma das vagas ao Senado nas eleições deste ano ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (23). Durante participação no evento "Sua Voz é Nossa Voz", realizado em Camaçari, o senador e candidato à reeleição Angelo Coronel (Republicanos) respondeu às declarações do ex-ministro da Casa Civil e também candidato ao Senado, Rui Costa (PT), que defendeu que os futuros senadores não devem atuar para "atrapalhar" o presidente da República.
Ao comentar a fala do adversário, Coronel afirmou que o Senado Federal deve exercer sua autonomia e não pode atuar apenas para referendar decisões do Poder Executivo.
"O Senado tem que ser independente, como eu fui nesses sete anos. Não estamos lá para atrapalhar o Brasil, mas também não estamos lá para ser uma casa homologatória, para fazer apenas a vontade do presidente", declarou.
Na avaliação do parlamentar, a declaração de Rui Costa não representa o verdadeiro papel constitucional do Legislativo. Coronel argumentou que o cenário político nacional é marcado pela pluralidade de posições e que cabe ao Congresso discutir, fiscalizar e aperfeiçoar as propostas encaminhadas pelo governo federal.
"Muitas vezes o presidente tem uma vontade que não é a vontade da maioria do povo brasileiro. O Brasil está dividido, e isso mostra que ninguém detém a verdade absoluta", afirmou.
O senador também reiterou que discorda do posicionamento do petista e classificou a declaração como uma opinião pessoal de Rui Costa. "É uma declaração que cabe a ele defender, mas eu sou contrário a esse entendimento", acrescentou.
O embate acontece em meio à formação das chapas para a disputa ao Senado na Bahia. Angelo Coronel busca a reeleição integrando a chapa encabeçada por ACM Neto (União Brasil), ao lado de João Roma (PL). Já Rui Costa disputa uma vaga na chapa liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), ao lado do senador Jaques Wagner (PT), que tenta renovar o mandato.
Nos últimos meses, Coronel tem reforçado o discurso de que o Senado deve atuar com independência em relação ao Executivo, defendendo que a Casa exerça seu papel de fiscalização e equilíbrio entre os Poderes, posição que diverge da visão apresentada por Rui Costa durante a pré-campanha.