"É um mito dizer que o PSOL é contra a Polícia Militar", afirma Ronaldo Mansur ao defender valorização salarial e investimento na Polícia Civil

Foto: Divulgação
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Durante sabatina promovida pela TV Aratu nesta quarta-feira (5), o candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, abordou as diretrizes da sua proposta para a segurança pública estadual. O postulante rebateu o estigma de que o partido se opõe às forças policiais e criticou as condições de trabalho e remuneração da categoria sob gestões tanto do grupo carlista quanto do PT.

"É um mito dizer que o PSOL é contra a polícia militar. Vale ressaltar que o PSOL tem atuado na nossa militância, seja na Bahia ou seja no Brasil inteiro, em defesa de uma política de segurança que garanta direitos — tanto para os policiais militares, policiais civis, policiais penais quanto para os policiais da polícia científica", afirmou Mansur.

Sucateamento da Polícia Civil e precariedade estrutural

Ronaldo Mansur apontou a escassez de efetivo e a infraestrutura precária dos postos de atendimento como principais gargalos da Segurança Pública baiana, citando a situação de unidades da capital.

"Nenhum governo — seja nos 30 anos do governo carlista, seja nos 20 anos do governo PT — garantiu [direitos]. Hoje a gente chega em qualquer delegacia e os policiais civis não têm nenhuma condição de trabalho", destacou o candidato. "É preciso que o governo do Estado invista muito mais na Polícia Civil. Nós hoje temos um número muito pequeno de policiais civis trabalhando. Basta ir nos Barris que você vai encontrar uma estrutura precária e um número de policiais na ativa muito pouco."

Salário inicial, plano de carreira e moradia digna

Ao resgatar o histórico de mobilizações da categoria, o candidato lembrou o apoio do PSOL às reivindicações dos policiais em episódios anteriores de greve e condenou a defasagem salarial e a perda de direitos adquiridos.

"Em 2012, quando nós tivemos a greve da Polícia Militar, o PSOL esteve ao lado dos grevistas, dos policiais militares que foram cercados. O PSOL estava lá em defesa do policial civil e do policial militar, porque hoje o policial que inicia recebe um salário de menos de R$ 5 mil", pontuou.

Mansur defendeu ainda a criação de políticas de habitação direcionadas aos profissionais de segurança e a restituição do plano de cargos da categoria:

"Como é que um policial sai da sua casa e não tem nenhuma segurança? A sua família corre risco. Você não tem nenhuma política de habitação no Estado que dê crédito para o policial militar, civil, penal ou técnico ter direito a uma moradia digna. Eles moram onde muitas vezes a criminalidade está com a arma apontada para a sua cabeça. É preciso devolver o plano de carreira dos policiais militares, que nos governos passados foram retirados."

Enfrentamento ao crime organizado e presença social nas comunidades

Por fim, o postulante do PSOL contestou a eficácia do modelo ostensivo de segurança focado exclusivamente em operações policiais nos bairros populares, defendendo o combate às rotas de financiamento do narcotráfico e a chegada de serviços públicos essenciais nas periferias.

"Os policiais militares e civis são tratados como moeda para a gente ficar tendo essa guerra de tráfico. Uma guerra onde quem fornece as drogas e as armas não é quem mora nas comunidades; são aqueles que moram no Horto Florestal, nos bairros nobres", argumentou.

"Não adianta invadir o Nordeste de Amaralina apenas com polícia. O governo tem que invadir o Nordeste de Amaralina com saúde, com educação, com segurança, com esporte, lazer e cultura", finalizou Ronaldo Mansur.

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