Parlamentar afirma que dois vereadores teriam atuado na compra de votos para deputado federal durante as eleições e diz conhecer detalhes das supostas práticas, mas opta por não revelar nomes
O resultado das eleições de 2026 em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, foi acompanhado por uma denúncia feita pelo deputado estadual e deputado federal eleito Ditinho(UB), que afirmou nesta terça-feira, 06, ter tomado conhecimento de episódios de suposta compra de votos envolvendo vereadores do município durante a disputa para a Câmara dos Deputados.
Em declaração sobre o cenário político local, o parlamentar classificou a prática como uma agressão à democracia e afirmou que teria conhecimento de casos específicos ocorridos durante a eleição.
Segundo o deputado, dois vereadores de Santo Antônio de Jesus teriam participado de uma articulação para compra de votos em favor de um candidato a deputado federal. Apesar de afirmar conhecer os envolvidos e saber onde os supostos votos teriam sido comprados, ele decidiu não divulgar os nomes.
“Eu sei quem foi que fez. Sei onde comprou. Sei tudo. Mas não vou falar nome porque é antiético”, declarou.
O parlamentar também relatou uma situação envolvendo uma urna eleitoral na qual, segundo ele, circulavam comentários de que seu desempenho seria negativo. Ainda de acordo com o relato, posteriormente um candidato de fora teria obtido uma votação expressiva naquela seção.
Para o deputado, o episódio seria incompatível com a normalidade do processo eleitoral e levantaria suspeitas sobre a utilização de dinheiro para influenciar o eleitorado.
Recompensa por denúncia
Em tom de indignação, o parlamentar anunciou que pretende oferecer uma recompensa para quem apresentar provas de compra de votos.
A declaração mais contundente foi a promessa de um carro novo para quem conseguir registrar, segundo suas palavras, uma situação que comprove alguém comprando votos.
“Eu vou dar um carro novo para o cara que filmar um sacana comprando voto. Porque isso é ferir a democracia”, afirmou.
O deputado reforçou que a intenção seria estimular a apresentação de provas e não apenas a circulação de acusações sem comprovação.
A compra de votos, conhecida juridicamente como captação ilícita de sufrágio, é uma conduta vedada pela legislação eleitoral. Casos concretos, porém, precisam ser investigados e submetidos às autoridades competentes.
“Não é uma pessoa só que está sendo lesada”
Ao comentar o assunto, o deputado afirmou que a compra de votos não prejudicaria apenas um candidato ou grupo político, mas atingiria o próprio processo democrático.
Na avaliação apresentada pelo parlamentar, o voto representa um dos momentos em que os cidadãos possuem formalmente o mesmo poder de decisão nas urnas, independentemente da condição econômica.
“Você não está lesando só uma pessoa. Você está lesando a democracia”, afirmou.
O parlamentar também criticou a prática de oferecer dinheiro em troca do voto e questionou a contradição entre reclamar das desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, aceitar vender o voto.