O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta segunda-feira (25) que não gostaria de levar adiante um processo de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas disse considerar que a medida “vai acontecer” caso chegue ao Palácio do Planalto.
Segundo Caiado, a Corte foi “gravemente atingida” por episódios que envolvem problemas de ordem pessoal de ministros. Ele defendeu que questões individuais não podem contaminar a imagem institucional do Supremo nem ser “acobertadas” por interpretações do próprio tribunal.
As suspeitas relacionadas ao Banco Master miram repasses e transações que teriam beneficiado familiares de ministros do Supremo, incluindo R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e R$ 6,6 milhões ligados a cotas de resort dos irmãos de Dias Toffoli.
“Pessoas que são atingidas com denúncias sobre a sua trajetória de vida deveriam ser afastadas para que respondessem”, disse Caiado. “Aí, sim, o Supremo guardaria a sua condição de imparcialidade nos julgamentos de temas relevantes, como se precisa.”
As declarações foram feitas ao longo de participação no encontro de presidenciáveis promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Aos empresários presentes, Caiado afirmou que, assim como ocorre em empresas quando alguém desrespeita as regras de ética do cargo que ocupa, o mesmo princípio deveria ser aplicado ao STF.
“A não acontecer isso, qual é o segundo passo? É o segundo passo de mais uma crise que nós teremos no Brasil, chegando à Presidência. É algo que eu não queria, mas que vai acontecer, que vai ser a segunda etapa. Se o Supremo não tomar essa decisão, qual é o segundo passo? O impeachment”, continuou o goiano.
Ele afirmou que, embora o rito para o impeachment de um ministro do Supremo seja mais célere do que o de um presidente da República, por tramitar apenas no Senado, a medida inevitavelmente criaria um ambiente de crise institucional. Na avaliação de Caiado, o STF vive um momento de forte contestação e, para que o País possa avançar, a própria Corte deveria demonstrar capacidade de “cortar na própria carne”.
“Nada (mais) será discutido. Porque cada ano vai ser um cassado, ou vão cassar dois cada vez, como vai ficar isso?”, indagou.