Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) acendeu um alerta sobre a atuação do governo federal no combate ao crime organizado nas regiões de fronteira. De acordo com o levantamento, a execução abaixo do esperado do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem comprometido ações estratégicas de segurança e pode estar abrindo espaço para o fortalecimento de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
O relatório técnico analisou o período entre agosto de 2024 e abril de 2025 e concluiu que parte relevante das medidas planejadas não saiu do papel. Segundo o documento, o desempenho insuficiente do programa enfraquece a capacidade do Estado de combater crimes como tráfico de drogas, tráfico de armas e contrabando, além de impactar diretamente a segurança pública.
Entre os dados destacados pela auditoria, o TCU informa que apenas 23 dos 42 planos de ação previstos foram executados, o equivalente a 54% do total. Outros 19 projetos voltados à integração entre órgãos de segurança e inteligência não avançaram como previsto ou foram interrompidos ao longo da implementação.
Ainda segundo o tribunal, a baixa execução do programa compromete a atuação coordenada nas áreas de fronteira, consideradas estratégicas para conter a entrada de armas, drogas e mercadorias ilegais no país. O documento também ressalta que a fragilidade operacional favorece a expansão de organizações criminosas com atuação interestadual e transnacional.
Em um dos trechos do relatório, os auditores afirmam que a ineficiência na implementação das ações previstas no PPIF representa risco à segurança pública e à soberania nacional, diante da crescente sofisticação das facções criminosas e da necessidade de resposta integrada por parte do poder público.
O caso aumenta a pressão sobre o governo Lula na área da segurança, tema que tem ocupado espaço central no debate político e institucional. A auditoria do TCU reforça a cobrança por medidas mais efetivas de controle nas fronteiras e por maior articulação entre os órgãos responsáveis pela prevenção e repressão ao crime organizado.