Angelo aponta “liberdade de ocasião” de ACM Neto após tentativa de tirar veículo do ar

Foto: Divulgação
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Para o deputado estadual Angelo Almeida (PT), a tentativa da coligação de ACM Neto de suspender integralmente o perfil jornalístico Política ao Vivo revela uma liberdade que muda de tamanho conforme a conveniência política.

“Liberdade de expressão não pode ser um valor de ocasião, acionado quando protege os aliados e descartado quando a imprensa incomoda. Se há uma publicação irregular, ela deve ser analisada e responsabilizada nos termos da lei”, afirmou.

Angelo confronta o pedido judicial com uma declaração do próprio ACM Neto. Há dois anos, o candidato do União Brasil disse que a manutenção da liberdade de expressão seria inseparável da democracia e assegurou: “Sou contra qualquer tipo de censura prévia”.

Nesta semana, sua coligação pediu à Justiça Eleitoral que retirasse do ar todo o perfil do Política ao Vivo no Instagram. O juiz auxiliar Mhércio Cerqueira Monteiro negou a liminar na terça-feira (4).

Segundo o Política ao Vivo, Monteiro examinou centenas de postagens e determinou a remoção de quatro conteúdos específicos. O perfil continuou no ar. A decisão permitiu que as publicações apontadas como irregulares fossem tratadas individualmente, sem impedir a veiculação de notícias futuras.

O magistrado advertiu que eliminar o canal implicaria “censura prévia sobre publicações futuras e coberturas jornalísticas legítimas”. Classificou a medida como “extrema, atípica” e afirmou que uma intervenção desse alcance dependeria de circunstâncias excepcionais, como anonimato ou disseminação reiterada de desinformação — hipóteses não demonstradas pela campanha de Neto. Também rejeitou a tentativa de interferir previamente na estética visual e sonora das próximas publicações.

Na avaliação de Angelo, o movimento não foi isolado. Em abril, os advogados de ACM Neto invocaram a liberdade de expressão para defender como sátira e crítica política um vídeo manipulado por inteligência artificial que associava o governador Jerônimo Rodrigues à criminalidade. No mesmo período, o deputado federal Paulo Azi, aliado de Neto no União Brasil, acusou o PT de censurar adversários e jornalistas ao questionar judicialmente um evento eleitoral da oposição.

“Agora, diante de uma cobertura que o desagrada, o grupo quer retirar um veículo inteiro do ar. Tentar apagar o mensageiro porque a mensagem incomoda é censura prévia — justamente aquilo que ACM Neto dizia condenar”, disse Angelo.

A defesa da imprensa já havia levado o deputado à tribuna em 2021, quando apresentou uma moção de solidariedade a um radialista ameaçado e classificou ataques a jornalistas como agressões, por extensão, à democracia. “A regra democrática só é regra quando também protege o crítico, o adversário e a notícia desconfortável. Quem pede liberdade para falar não pode pedir à Justiça o silêncio de quem noticia”, acrescentou.

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