O senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) contestou a comparação entre o crescimento da dívida pública durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os números registrados na gestão anterior. Em entrevista à Central de Notícias, do SBT News, apresentada pela jornalista Amanda Klein nesta terça-feira (13), ele afirmou que despesas obrigatórias não foram incluídas no orçamento de 2023, elaborado e aprovado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Questionado sobre o aumento da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os juros elevados e a necessidade de cortes de despesas, Rui Costa argumentou que a análise precisa considerar compromissos financeiros que, segundo ele, ficaram fora da previsão orçamentária.
Precatórios e Bolsa Família
O senador eleito citou o pagamento de cerca de R$ 90 bilhões em precatórios — dívidas reconhecidas judicialmente que o poder público deve quitar — e o aumento do Bolsa Família para R$ 600, medidas relacionadas a 2022.
“Quando você soma o conjunto das despesas programadas, obrigatórias e que não constavam do orçamento, isso soma da ordem de R$ 180 bilhões”, declarou.
Rui Costa afirmou que esses valores precisam ser considerados na comparação entre as duas administrações. Na avaliação dele, não é correto atribuir integralmente ao atual governo o crescimento das despesas sem levar em conta os compromissos anteriores.
Metas fiscais e orçamento
Ao comentar a possibilidade de cortes de gastos, Rui Costa afirmou que o governo encaminhou ao Congresso Nacional as propostas orçamentárias e as metas fiscais que deverão orientar a administração.
Segundo ele, o cumprimento dessas metas dependerá também da aprovação das medidas previstas pelo Legislativo.
“Lá está escrito o compromisso fiscal que o governo federal assume se ganhar a eleição. Então, lá está escrito que, se o Congresso votar aquilo que está lá escrito, aquilo vira obrigação para o presidente cumprir a economia das suas despesas”, afirmou.
O senador eleito não detalhou, durante a entrevista, quais despesas poderiam ser reduzidas nem apresentou um pacote específico de cortes. Ele defendeu que a compatibilização entre gastos e metas fiscais seja feita para cumprir os objetivos estabelecidos na legislação orçamentária.