Eleita aos 21 anos pelo PT de Minas Gerais com 524.219 votos, Ana Elisa afirmou que o resultado das urnas demonstra a força das redes sociais na política e defendeu uma mudança na estratégia de comunicação da esquerda. A votação fez da petista a segunda candidata mais votada para a Câmara no estado, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), além de colocá-la como a mulher mais votada da história de Minas Gerais para o cargo.
Em declaração após a eleição, Ana Elisa disse que sua campanha enfrentou resistência dentro do próprio campo político por apostar fortemente no ambiente digital. Para ela, o desempenho eleitoral mostrou que Instagram e TikTok deixaram de ser espaços complementares e passaram a ocupar papel central na disputa política.
“Eu acho que ficou provado por si só que rede social elege sim. Não é que a esquerda está fraca, que os jovens estão fora da política. A esquerda precisa de novos estereótipos, a esquerda precisa de novas representatividades”, afirmou.
A deputada eleita também defendeu que a esquerda combine a mobilização tradicional nas ruas com uma presença permanente nas redes. Segundo ela, a disputa política atual passa pela capacidade de influenciar as narrativas que circulam diariamente nos celulares.
“Não existe mais separação de redes e ruas. Quem está nas ruas está nas redes e, muitas das vezes, quem está nas redes não está nas ruas”, declarou.
Ana Elisa também direcionou críticas ao campo progressista por, segundo ela, ter subestimado durante a campanha a importância da comunicação digital. A petista afirmou que políticas públicas e ações de governo precisam ser apresentadas de forma mais eficiente nas plataformas digitais para alcançar o eleitorado.
A nova deputada ainda defendeu maior investimento na juventude e afirmou que a direita não consolidou domínio definitivo sobre esse público. “Não é que a direita já ganhou. O campo está disputado. A gente precisa agora correr atrás disso”, disse.
Ao comentar a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, Ana Elisa afirmou que a estratégia da esquerda deve ser baseada na apresentação de fatos e na disputa das narrativas, sem recorrer à desinformação.
“Nós não precisamos inventar nada sobre o Flávio. Diferente deles, a gente não precisa criar uma seara de fake news. Nós temos os fatos. Nós só precisamos dominar as narrativas”, afirmou.
Natural de Divinópolis, Ana Elisa é estudante de Direito e ganhou projeção nacional pela atuação política nas redes sociais. Com a votação de domingo (4), tornou-se a deputada federal mais jovem eleita por Minas Gerais e a candidata do PT mais votada para a Câmara no país em 2026.