O prefeito de Jequié, Zé Cocá, confirmou nesta quinta-feira (26), durante entrevista coletiva no município, que aceitou o convite feito pelo pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, para compor a chapa majoritária como candidato a vice-governador. Em um discurso carregado de emoção, referências à fé e forte defesa de políticas públicas voltadas para o interior, Cocá afirmou que a decisão foi amadurecida em família, após conversas políticas e reflexão pessoal.
“A gente conversou muito sobre isso. E eu disse a Neto que eu precisava ter paz no meu coração. E eu orei muito a Deus, discuti com a minha família, discuti muito com Flavinho. E Deus me orientou que a gente estivesse junto”, declarou o prefeito, ao justificar sua entrada no projeto político liderado por ACM Neto.
A fala de Zé Cocá deu o tom de uma adesão que, segundo ele, não foi motivada por espaço de poder, mas pela identificação com uma proposta de governo voltada à transformação econômica e social do estado. “Eu dizia sempre que eu só sairia da Prefeitura de Jequié se eu tivesse o cheiro de um projeto político. Não o cheiro de ser vice-governador para sentar numa cadeira só para ter um símbolo e acabou. Minha intenção não é essa”, afirmou.
Discurso de projeto e interiorização
Ao explicar por que aceitou o convite, Zé Cocá destacou que enxergou em ACM Neto disposição para construir um novo modelo de gestão com foco no interior baiano. Segundo ele, o ex-prefeito de Salvador apresentou uma visão que dialoga com as demandas mais urgentes dos municípios do interior, especialmente nas áreas de produção, emprego, infraestrutura e assistência ao homem do campo.
“Neto me mostrou isso. Ele me mostrou a vontade, a determinação, aquele sonho que ele quer. Ele discutiu comigo horizontes que me arrepiam nesse momento”, disse.
Ao longo da coletiva, Cocá reforçou que a prioridade de um eventual novo governo deve ser a interiorização do desenvolvimento. “A gente precisa mudar a Bahia, a gente precisa estar no interior, a gente precisa chegar em Lafaiete Coutinho, a gente precisa chegar em Itagi, a gente precisa chegar naquele município que está no canto, que não consegue apoio”, declarou.
O prefeito ainda fez um relato pessoal para ilustrar a importância de políticas de assistência técnica e incentivo à produção. “Eu sou fruto disso. Se eu não tivesse organizado meu irmão naquele momento para ter assistência técnica, eu não estaria aqui hoje sendo o que sou. Então, é importante que a gente chegue a essas pessoas”, afirmou.
Críticas à política econômica do Estado
Em um dos trechos mais incisivos do discurso, Zé Cocá criticou a falta de incentivos para setores produtivos da Bahia e citou exemplos de perdas econômicas para estados vizinhos, como Pernambuco. O prefeito argumentou que a ausência de estímulo à produção tem provocado evasão de investimentos e enfraquecimento de cadeias estratégicas para o interior.
“A gente não pode ver uma das quatro maiores empresas de aves da Bahia levando uma filial para Pernambuco, porque a Bahia não deixa vender o ovo fora e Pernambuco deixa”, disse. “As maiores indústrias na área de ovo caipira estão sendo instaladas em Pernambuco, porque a Bahia não faz”, completou.
Na mesma linha, Cocá também lamentou o enfraquecimento da pecuária leiteira no estado. “Nós não podemos perder a pecuária leiteira. A gente saiu do primeiro lugar no Nordeste e perdemos para Pernambuco, justamente pelos incentivos também”, afirmou.
Produtor rural, o prefeito buscou aproximar o discurso político da realidade do campo. “Eu sou produtor e sei a dor daquele produtor que está parando de tirar leite agora porque não existe incentivo. Isso que eu quero ajudar mesmo. Eu quero estar junto com ele de fato”, declarou.
Aliança com foco regional
A aceitação de Zé Cocá também reforça o peso político do interior na estratégia de ACM Neto para a disputa estadual. Ao lado de lideranças como a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, o prefeito de Jequié defendeu a construção de uma aliança regional para fortalecer cidades-polo e irradiar desenvolvimento para municípios menores.
“Conquista e Jequié têm uma condição plena de trazer o fortalecimento do interior, discutir pautas que são importantes não só para a vida de Conquista e para a vida de Jequié, mas para Manoel Vitorino, Boa Nova, Barra do Choça, Poções e tantos outros municípios”, afirmou.
Segundo ele, o objetivo é construir um projeto que vá além das demandas imediatas e enfrente os gargalos estruturais da Bahia. “A gente não precisa discutir agora só asfalto, concreto para escola ou posto de saúde. Nós temos que discutir as deficiências da Bahia”, disse.
Creches, alfabetização e desenvolvimento
Na parte final da fala, Zé Cocá destacou que a futura agenda política do grupo precisa alcançar também áreas sociais sensíveis, como educação infantil, alfabetização e apoio aos municípios. O prefeito chamou atenção para o déficit de creches e para o número de crianças que chegam às séries iniciais sem saber ler e escrever.
“Os municípios baianos, na sua maioria, têm uma deficiência de creche, que é um absurdo. Está na hora do governo do Estado discutir com os municípios baianos como é que queremos fazer isso”, afirmou. “O nosso déficit das nossas crianças, chegando ao fundamental 1 sem saber ler e escrever, isso precisa acabar”, completou.
Zé Cocá reforçou que pretende caminhar ao lado de ACM Neto em defesa de projetos regionais estruturantes, citando propostas como ampliação da irrigação, fortalecimento do aeroporto regional e criação de áreas industriais. “Quero estar junto dele de fato para a gente, juntos, transformar a Bahia num lugar melhor de se viver”, concluiu.