O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou, nesta sexta-feira (14), durante a sabatina do Grupo A TARDE, ser contrário à redução da maioridade penal como estratégia para enfrentar a criminalidade. Ao comentar possíveis mudanças na legislação sobre segurança pública, o parlamentar defendeu o endurecimento contra criminosos e apontou o uso de tecnologia como uma das principais ferramentas de combate ao crime organizado.
“Eu não sou adepto dessa tese da redução da maioridade penal”, declarou Wagner.
Segundo o senador, a redução da idade de responsabilização criminal não resolveria, necessariamente, os problemas de segurança pública. Ele destacou que adolescentes cada vez mais jovens têm sido envolvidos em atividades criminosas, seja por cooptação de organizações criminosas, seja pelos ganhos financeiros oferecidos pelo crime.
“A discussão sobre maioridade penal, não necessariamente isso vai resolver a questão da segurança”, afirmou.
Wagner defendeu, por outro lado, que criminosos sejam retirados de circulação. “Eu acho que nós temos que endurecer. Apenas eu entendo que bandido tem que ser tirado de circulação”, disse.
Na avaliação do senador, a tecnologia deve ocupar papel central nessa estratégia. Ele citou como exemplo o sistema de câmeras criptografadas utilizado na Bahia, que, segundo seus números, teria contribuído para a prisão de milhares de pessoas.
“Eu acho que a única forma de você ter uma segurança mais eficaz, mais eficiente é através do uso da tecnologia como a gente está fazendo com as chamadas câmaras criptografadas”, afirmou.
Wagner relatou que, desde o início da implantação do sistema, cerca de 6 mil pessoas foram presas. Apenas neste ano, segundo ele, foram aproximadamente 1,6 mil prisões. O senador também citou casos de foragidos identificados em aeroportos e durante o Carnaval.
O petista também ressaltou a necessidade de ampliar o efetivo das forças de segurança. Segundo Wagner, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) contratou cerca de 10 mil policiais para repor servidores que se aposentaram e também ampliar o quadro.
Apesar do reforço no efetivo, Wagner ponderou que não seria possível colocar policiais em todos os pontos das cidades. “Você não consegue botar um policial em cada esquina”, afirmou.
PEC da Segurança
Durante a sabatina, Wagner também mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Segundo ele, a medida já passou pela Câmara dos Deputados e precisa avançar no Senado.
Na avaliação do senador, a aprovação da PEC poderá abrir caminho para a criação de um Ministério da Segurança Pública pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração de Wagner ocorre em meio ao debate nacional sobre segurança pública, redução da maioridade penal, combate ao crime organizado e integração entre as forças de segurança.