A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu três locais históricos brasileiros como sítios de memória associados à escravidão e ao tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Entre os espaços contemplados está a Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD), localizada no Cruzeiro de São Francisco, no Centro Histórico de Salvador.
O reconhecimento foi celebrado nesta sexta-feira (30) pela secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi), Ângela Guimarães. Além da instituição baiana, receberam a titulação o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.
Segundo a secretária, a inclusão da Sociedade Protetora dos Desvalidos representa o reconhecimento internacional da trajetória de organização e resistência da população negra na Bahia. A entidade foi criada por homens negros ainda escravizados e desenvolveu iniciativas de solidariedade voltadas à garantia de sepultamentos dignos e à conquista de alforrias.
Ângela Guimarães também destacou a atuação atual da instituição, que mantém atividades no Pelourinho, presta assistência a idosos e acolhe estudantes africanos intercambistas. Para a gestora, o espaço mantém sua importância para a preservação da memória e a promoção da dignidade da população negra.