O Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), maior unidade de saúde pública da Bahia, tornou-se palco de uma cena de horror e desassistência.
Imagens registradas pelo vereador Jorge Araújo (PP) expõem pacientes graves, que dependem de hemodiálise para sobreviver, dormindo de forma improvisada em cadeiras de espera e bancos de plástico na ala de emergência.
A denúncia detalha que homens e mulheres fragilizados pela insuficiência renal — um tratamento que exige repouso e monitoramento — estão sendo obrigados a transformar a recepção em dormitório.
Sem acesso a leitos ou ao procedimento imediato, os pacientes enfrentam noites em claro em assentos desconfortáveis enquanto aguardam o início da filtragem sanguínea, essencial para a manutenção da vida. "É o sofrimento do povo. Um paciente debilitado que deveria ter atendimento prioritário está dormindo no banco porque não conseguiu realizar o procedimento", desabafou Jorge Araújo durante a fiscalização.
A situação no HGRS não é um caso isolado, mas o reflexo de um sistema sob pressão extrema na Bahia
A demanda por hemodiálise na rede pública cresceu estimadamente 15% no último ano, sem a abertura proporcional de novas clínicas conveniadas.
Relatórios recentes indicam que o tempo médio para internação em leitos de Nefrologia via Central de Regulação ultrapassa, em muitos casos, o limite de segurança clínica.
O HGRS opera constantemente acima de sua capacidade nominal, o que força a "acomodação" de pacientes em áreas de circulação.
A denúncia do vereador acende um alerta vermelho sobre a gestão da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Embora o estado alegue investimentos em novos hospitais, a realidade nas grandes unidades permanece marcada pelo improviso e pela violação dos direitos humanos fundamentais.